Thor: Ragnarok – O melhor filme do Thor

Eu diria que Thor: Ragnarok emerge das profundezas para salvar a franquia Thor no cinema. Tanto o primeiro quanto o segundo foram completamente esquecíveis e desnecessários, fracos em relação aos filmes dos seus companheiros Vingadores, e sem dúvida o Chris Hemsworth ainda precisava de tempo para aprender a atuar.

 

Nas mãos do diretor Taika Waititi a franquia muda o rumo e se transforma em uma comédia de grande orçamento com personagens de quadrinhos, e o que não falta são momentos engraçados e piadas, o tempo todo. E quando eu falo o tempo todo, é o tempo todo mesmo.

A direção do Neozelandês é leve, ele não investe muito na profundidade da história e faz um filme bastante colorido, dentro daquele padrão Guardiões da Galáxia. Eu diria até que a Marvel definiu que seus próximos filmes vão seguir esse padrão, já que serão comédias espaciais.

O padrão Guardiões da Galáxia é tão presente que eu juro que eu sai do filme cantarolando Fox on the Run, a música de Guardiões, não a música Immigrant Song, de Thor: Ragnarok. E estou com Fox on the Run na cabeça ainda, enquanto escrevo esta crítica.

Mas diferente de Guardiões da Galáxia 2, em que os personagens forçam as risadas para informar o espectador quando é o momento de rir, Thor: Ragnarok acerta boa parte das piadas, que são naturais e a maioria tem bom timing.

Thor: Ragnarok – O Enredo:

O enredo é o seguinte: Thor volta para Asgard em busca de Odin e descobre que Loki está vivo. Juntos eles vão procurar por Odin, e descobrem que tem uma irmã, a Hela, também conhecida como a Deusa da Morte.

Hela retorna para escravizar Asgard, Thor e Loki vão parar no planeta Sakaar, um mundo sem leis, Thor é capturado como um gladiador e precisa enfrentar o Hulk na arena.

Aí ele precisa montar um time para voltar a Asgard e enfrentar Hela e salvar seu mundo.

Thor: Ragnarok tenta ser um filme irreverente, que zoa com os padrões de filmes de super heróis e atira seu humor para todos os lados.

Thor: Ragnarok – Os Personagens:

O Thor deixa de ser aquele viking durão dos primeiros filmes para se tornar um molecão com pouca coisa na cabeça – só prestar atenção na quantidade de planos infalíveis que ele bola durante o filme que servem pra render piadas.

A mudança no tom do personagem favoreceu bastante o limitado Chris Hemsworth, que colocou de lado o ar durão e não se preocupou em parecer bobão em favor do humor. Enquanto seu carisma era quase zero nos filmes solo anteriores, onde os personagens secundários pareciam mais importantes, aqui ele toma a dianteira e mostra a que veio.

O Hulk está bem diferente daquele que conhecíamos, em todos os aspectos, desde a figura em computação gráfica até o seu tamanho e personalidade. É um Hulk diferente a cada filme.

Quando o Hulk se torna Banner há uma perda nítida de presença na tela, o Mark Ruffalo parece cansado, com preguiça, sei lá. Mas ainda assim tem boas piadas, a piada final do Banner é extremamente dolorida, me lembrou demais o Coiote do Papa-Léguas. O que é bom, acho.

O Loki é o Tom Hiddlestone, e esse é o charme do personagem. Talvez seja o melhor vilão do universo Marvel, ponto.

A Hela da Cate Blanchett é uma figura pra encher os olhos. Eu me apaixonava cada vez que ela aparecia na tela, aquela imagem esguia desfilando com seus cabelos negros e rímel nos olhos, meu deos.

Ela parece se divertir no papel, e isso é bom. O problema talvez seja o seu exagero na vilania em alguns momentos, mas acho que o exagero faz parte da premissa de Thor: Ragnarok, então isso mais ou menos funciona.

Se me perguntarem se finalmente a Marvel acertou em um vilão, bem, não muito. O objetivo dela, pra variar, dominar o universo!

A Valquíria é uma personagem interessante, seu comportamento é bem mais viking que o do Thor. Eu poderia problematizar dizendo que pra mim uma Valquíria deveria ser uma nórdica loira gigante, mas a Tessa Thompson segura faz bem seu papel e eu não vou entrar na questão.

Tem o Korg, um personagem de pedra interpretado pelo diretor do filme que é legalzinho mas não consegue gerar empatia. Sua importância no filme é quase zero.

Jeff Goldblum aparece como o Grão-Mestre, o ditador do planeta Sakaar, e naturalmente é um ator fora dos padrões. Serve para alguns momentos interessantes, mas venderam tanto seu personagem que eu esperava mais.

O Doutor Estranho aparece no filme apenas pra dizer que existe e fazer umas piadas, nada que atrapalhe muito.

Mas a principal cena de Thor: Ragnarok deveria ser a luta entre Thor e Hulk, só que eu fiquei com a impressão de que ela foi curta demais e muito mal explorada, deixou um gosto de “puxa, só isso?”

E, vale deixar claro, esse é um dos raros momentos em que não parece ter o padrão Marvel de Porrada Fofa, pelo contrário, tem umas lá que doem. Pena que para manter a classificação etária e a leveza não tenha sangue ou deixe olhos roxos.

Os personagens mais importantes, como o Hulk, Korg e Surtur tem boa computação gráfica, mas algumas cenas ficam devendo bastante, tem uma com a Hela que me lembrou Matrix Reloaded, bonequinhos mal desenvolvidos saltando pela tela.

No geral Thor: Ragnarok é uma boa comédia da Marvel, dentro da proposta do estúdio, com o personagem do Thor bem mais interessante que o dos primeiros filmes.

Ragnarok não é monótono mas tem um ritmo bem lento, acontece um monte de coisas e parece que nada acontece, todos os problemas tem soluções rápidas e o resultado final não é ruim, mas com certeza você vai se esquecer dele rapidamente, assim como já se esqueceu de Guardiões da Galáxia 2, Mulher Maravilha ou X-Men: Apocalipse.

Não que eu esteja pedindo profundidade em filmes de super heróis, por favor, mas é que essa fórmula fast food está se desgastando tão rapidamente que vai ser difícil segurar o interesse do público, se continuar nesse ritmo.

Fiquei com a impressão de que Taika Waititi conseguiu, mesmo dentro da fórmula Marvel, deixar o seu toque pessoal, se seguirem nesse caminho pode ser que os filmes do estúdio se tornem mais interessantes no futuro.

Thor: Ragnarok vale à pena?

Thor: Ragnarok é uma comédia divertida, que vai te fazer rir e se esquecer do mundo por pouco mais de duas horas, o que é bom.

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