O que motiva um bom vilão?

No geral, tendo a preferir os heróis. Me identifico mais com histórias onde o cara precisa abrir mão de si para lutar pelo que é correto e bom. Mas, assim como a maioria de vocês, também fico de queixo caído quando um bom e aterrorizante vilão rouba a cena. Mas cês já pararam pra pensar o que, em geral, motiva esses bad guys?

 

Elucubremos:

Antigamente era fácil compor um vilão. Você criava um herói que resumia em si os valores positivos, depois criava uma espécie de oposto superficial. Se o herói era bonito, o vilão era feio. Se o herói era forte, o vilão era fraco. Então, se o herói lutava pela justiça, o vilão lutava pela injustiça, etc… Hoje é estranho que um personagem “lute pela injustiça”, mas era assim. A figura do vilão não era mais que uma escada para que o herói esfregasse suas virtudes e poderes na nossa cara.

Com o tempo, os autores de quadrinhos – cada vez mais espertos e cultos – decidiram que era hora de adentrar na psique da vilania e entender por que caras como o Rei do Crime, Coringa e  Lex Luthor fazem o que fazem. Óbvio, estamos falando de quadrinhos aqui. Bons vilões sempre existiram na literatura, teatro e cinema.

Talvez com exceção do Coringa, é relativamente fácil entender a cabeça de um vilão. Aliás, Coringa é tão à parte, que precisei recorrer à psicologia só para falar dele neste vídeo.

As melhores histórias de Lex Luthor, por exemplo, nos dizem que seu ódio pelo Superman tem razão de ser. Afinal, que sentido faz a humanidade confiar a segurança do mundo nas mãos de um alienígena de capa? Segundo Lex, a presença do kriptoniano tem o potencial de tirar da raça humana a vontade de superar os próprios problemas e se tornar dona do próprio destino. Você pode pensar: Ah, é recalque, inveja. – Pode ser… Mas o quanto a presença de um salvador sempre pronto para nos salvar é realmente benéfica? Será que não nos acomodaríamos?

Em outro Universo, Homem-Aranha, já cansado dos desmandos de Wilson Fisk – o Rei do Crime – resolve bater um léro com o canalha. Afinal, como pode um vilão como Fisk ser aclamado pelo povo, enquanto ele, o amigão da vizinhança, é tão odiado e perseguido? Papo vai, papo vem, Fisk acaba nos dando uma pista importante que corrobora os paradigmas propostos por Lex.

Fisk diz: Você faz as pessoas acreditarem que são pusilânimes, nada especiais. Ninguém quer sair de casa acreditando que existem pessoas mais especiais que elas. É por isso que vão sempre te odiar.  – (resumi a fala pra fazer mais sentido).

É natural para o ser humano a busca pelo poder e controle. Fazemos isso o tempo inteiro em nossas vidas. E quando nos deparamos com uma criatura tão “maior” que nós, o primeiro ímpeto é a rejeição, porque simplesmente não poderíamos controla-la.

E há outros casos, como o Barão Zemo em Capitão América: Guerra Civil que perdeu a família por culpa inequívoca dos Vingadores, e que por isso articulou um plano para desestabilizar os pretensos heróis. Será que boa parte de nós, em menor ou maior grau, não sentiria vontade de fazer o mesmo?

Bem, claro que vilões são imorais, sádicos e cruéis. A mas a linha que separa a vilania do heroísmo é mais tênue do que costumamos supor. E, por mais que odiamos pensar, há muito de nós mesmos em um vilão.

Vamos falar de coisa boa?

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