O Matador, filme brasileiro da Netflix

Na semana passada a Netflix me convidou para uma pré-estréia de O Matador. E eu confesso que eu nem me lembrava mais que esse filme existia. Eu tinha lido sobre ele, mas era isso, nada mais.

 

Foi um evento chique, num lugar chique, com pessoas chiques, meio diferente dos eventos normais que a Netflix faz, mas o importante é que a comida tava boa. Mas eu não estou aqui pra falar sobre a comida – que estava boa, tou aqui para falar sobre o filme O Matador, que depois eu me lembrei ser o primeiro filme inteiramente brasileiro da Netflix.

E é um faroeste.

O Enredo de O Matador, filme da Netflix:

Um bebê é encontrado abandonado e passa a ser criado por um jagunço no interior de Pernambuco, que o ensina a sobreviver sozinho, a caçar e matar, essas coisas. De repente o jagunço vai para uma cidade e nunca mais volta, e o sujeito, agora crescido, decide sair pela primeira vez dos cafundós onde morava e ir até a cidade mais próxima, para descobrir o que aconteceu. Lá acontecem algumas coisas e ele se torna um matador de aluguel, o melhor da região. É a jornada básica do herói, aqui meio anti-herói, dentro do conceito típico da estrutura dos faroestes.

A direção tem um ar de Mamãe Eu Quero Ser o Tarantino, conta até a participação da Maria de Medeiros, atriz que fez o papel de Fabienne, a namorada do Bruce Willis em Pulp Fiction, mas não é muito eficiente nesse sentido.

De Tarantino só tem o cheiro.

Algumas idéias foram divertidas, como a de usar um mudinho como tradutor de um personagem francês, mas não tem muito mais que isso.

É preciso ter em mente que temos aqui um filme brasileiro com qualidade de filme brasileiro. Enquanto a fotografia consegue aproveitar o visual do sertão nordestino em determinadas cenas, em outras, principalmente quando mudamos para ambientes fechadas, ficamos com a impressão que estamos assistindo a uma novela. A computação gráfica é meio tosca, dá pra ver que não tinha dinheiro para gastar com ela. Tem uma onça quando em CGI parece de plástico, o sangue também espirra em CGI, como em séries policiais ruins, e tem uma casa queimada que me deixou com vergonha alheia.

Pequenos detalhes…

Eu costumo reclamar que o grande problema dos filmes brasileiros é não saber dosar a emoção, em um momentos estamos aqui, no momento seguinte aqui, não tem um equilíbrio no enredo, mas esse não é o problema de O Matador. Eu não gosto muito da idéia de ter um narrador pra facilitar a vida de quem assiste, mas isso não incomoda e é até bem usado. O enredo é equilibrado e os personagens tem os seus papéis bem definidos e até bem desenvolvidos. O problema mesmo está na montagem do filme.

Existe uma tentativa de fazer uma narrativa pouco linear, parece que a idéia era contar pequenas histórias, mas isso não fica claro e a edição deixa tudo meio confuso. As histórias de alguns personagens começam e terminam do nada, o Cabeleira, que é o personagem principal, desaparece do enredo em determinado momento, tem um arco com uma personagem chamada Fernanda e seu irmão Doidinho, que parece ter sido enfiado apenas pra encher linguiça…

A verdade é que O Matador não me incomodou e eu não consigo dizer que é um filme terrível, pois não é. Eu entendi a proposta e aceitei os problemas. Quando a gente para pra pensar que o cinema brasileiro raramente se arrisca para fazer um filme de ação, o resultado até é interessante.

Vamos pensar pelo lado positivo. Quando foi a última vez que você assistiu a uma ficção científica brasileira? Na Netflix, com 3%. E quando foi a última vez que o teve um filme brasileiro de faroeste? Agora, na Netflix, com O Matador. Depois de Tropa de Elite não tivemos nenhum filme bom o suficiente para competir com o mercado mundial. Então não tem nem como tapar o sol com a peneira. Precisamos melhorar, e melhorar bastante, e deveríamos aprender com nossos hermanos arrentinos, que fazem um cinema dramático em alguns momentos melhor que o americano.

Mas pelo menos surgiu um estúdio que tenta fazer algo diferente das comédias brasileiras com cara de novela da Globo. Agora é torcer para a Netflix não desandar…

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