O Estranho Que Nós Amamos – O Retorno de Sofia Coppola

Após um tempo se dedicando a projetos menores e campanhas publicitárias, Sofia Coppola está de volta fazendo o que faz de melhor.

 

Os filmes de Sofia Coppola sempre tiveram um diferencial, seja esteticamente, tecnicamente e até no modo de contar uma história. Claro que sempre há aquele comentário de que “Ah, ela é filha do Frances Ford Coppola, sempre teve apoio pra fazer os filmes”. Calma, isso não quer dizer nada, afinal, Sofia Coppola escreveu e adaptou todos os seus filmes.

Desde que começou com o curta-metragem “Lick The Star” em 1998, já veio dando pequenos traços da atmosfera de suas obras, mas foi com o lançamento de “As Virgens Suicidas” em 1999 que Coppola estabeleceu seu estilo, a estética esmaecida, os diálogos com as trilhas sonoras, a sensação de isolamento, desilusão e melancolia.

Em 2003 veio sua obra-prima: “Encontros e Desencontros”, um retrato de experiências próprias, além de ser um dos melhores filmes de todos os tempos, ainda lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Original. Em seguida vieram filmes inferiores a seus primeiros trabalhos, “Maria Antonieta” em 2006, “Em Algum Lugar Qualquer” de 2011, “The Bling Ring” de 2013 e até um Especial de Natal com Bill Murray, produzido pela Netflix em 2015.

E agora em 2017 a diretora retorna com um remake do filme de 1971 estrelado por Clint Eastwood.

Durante a guerra civil norte-americana em 1864, duas professoras e cinco estudantes residem um internato feminino, quando uma delas encontra um soldado ferido no bosque e decide leva-lo até a casa, onde é tratado até poder se recuperar de seus ferimentos.

Tecnicamente, é um trabalho magistral, a forma como Coppola usa e brinca com seu estilo cinematográfico, os contrastes entre a iluminação minimalista e o uso de sombras preenche bastante a obra, o uso do som é sutil e incorpora muito nos momentos de mistério e tensão. Os planos utilizados pela diretora dialogam desde os raios do sol entre as árvores e as trocas de olhares entre dos personagens, estabelecendo diversas conotações ao longo do filme.

E o elenco não poderia ser melhor: Colin Farrell, trabalha muito bem o mistério e as observações de seu personagem, é um de seus melhores papéis. Mas quem manda no filme definitivamente é o elenco feminino, Nicole Kidman que vive a dona do internato, se vê presa em um conflito entre responsabilidade e interesse, Kirsten Dunst flerta com o fim da monotonia em que sempre esteve presente e Elle Fanning transmite a voluptuosidade de sua personagem.

Vale a Pena Assistir ?

Comparado ao original, possui poucas diferenças, porém, as caracterizações, o novo ponto de vista apresentado nessa versão e o trabalho de direção são muito superiores. É o melhor filme de Sofia Coppola desde Encontros e Desencontros.

O filme já rendeu o prêmio de Melhor Direção no Festival De Cannes este ano, sendo Coppola apenas a segunda mulher a ganhar este prêmio.

Que venha o Oscar.

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