O Escultor: um ode à arte e ao amor pelos quadrinhos

Sabe quando uma história te prende do início ao fim e parece que conversa com você, que você se identifica totalmente com o protagonista de cara por seu sonho e objetivo? Ele é você. Você é ele. Sabe quando você pensa se daria a vida pelo que/quem você ama? Caso a resposta seja sim, essa história irá te tocar e te marcar.

 

Estou falando desta sensacional HQ de Scott McCloud, O Escultor (The Sculptor, 2015). Scott já é conhecido no meio como um desenhista/quadrinista a favor da arte do dos quadrinhos como arte literária e autônoma.  Scott é  muito popular e tido com um dos maiores teóricos atuais dos quadrinhos por causa de suas famosas obras  Desvendando os Quadrinhos (Understanding Comics: The Invisible Art, 1993) e Reinventando os Quadrinhos (Reinventing Comics: How Imagination and Technology Are Revolutionizing an Art Form, 2000) e  Desenhando Quadrinhos (Making Comics: Storytelling Secrets of Comics, Manga and Graphic Novels, 2006).

Trabalhos feito em forma de  histórias em quadrinhos que ele aborda o processo criativo, comentando, comparando, e fazendo análises dos aspectos artísticos,  técnicos e comerciais.
Scott McCloud é um homem de bagagem e que demonstrou todo o seu conhecimento impressionante nesta obra-prima da  nona arte.

Do que se trata?

David vai dar sua vida pela arte. Literalmente. Após um acordo com a Morte, o jovem escultor obtém seu desejo de infância: esculpir o que quiser com as mãos nuas. Mas agora que só lhe restam 200 dias de vida, decidir o que criar é mais difícil do que ele pensava. Descobrir o amor de sua vida na penúltima hora não ajuda em nada. Uma história sobre paixão que supera os limites da razão; sobre o compasso frenético e desajeitado do amor jovem; e um retrato belíssimo das ruas da cidade mais fantástica do mundo. Daqueles momentos pequenos, queridos e humanos da vida cotidiana… e das forças enormes que revolvem logo abaixo da superfície. Scott McCloud já escreveu sobre como os quadrinhos funcionam. Agora ele lança-se na ficção – emocionante, divertida e inesquecível.”

Por que deve ser lido?

A história é grandiosa pela forma que David lida com o cotidiano. Todo dilema do protagonista, tudo que a arte representa pra ele e como os outros apenas enxergam por dinheiro, a um  sutil questionamento ao pós-modernismo onde qualquer coisa pode ser arte, mesmo sem um critério aparente, devido a subjetividade. A arte de verdade é aquilo que você dá seu sangue, seu tempo e sua vida. Mesmo que ninguém se importe, mas você se importa, porque você precisa. Mesmo que não entendam, mas você entende, só você sabe. Só quem cria arte sabe. É assim que David se sente em meio esse mundo onde arte é mais falada do que vivida. Principalmente nas galerias de ricos.

David conquista o leitor por seus pensamentos e seu caráter; é um artista, idealista, cheio de códigos morais  e promessas que insiste em manter, que ganha o poder de esculpir o que quiser em 200 dias e vai aprendendo ao longos da trama a fazer bom uso disso em seu cotiano medíocre.

Ele que ser lembrado pelo seu talento, ele quer que saibam que ele existiu. Ele quer ser eterno na sua arte já que irá morrer, mas ele também quer amar e ser amado como homem pelo amor da sua vida: Meg.

Um tratado sobre arte e sobre o verdadeiro amor

A história é muito emocionante e se constrói em torno dos 200 dias de vida dele e do que ele terá que fazer e deixar pra trás no seu cotidiano, e aos poucos em suas quase 500 páginas, que passam tão rápido que não se perde, o roteiro de Scott McCloud brilha. A leitura é fluída e viciante, marcada por ótimas cenas, passagens e diálogos. Sem contar é claro o ótimo usos de cores, ângulos e do trabalho que Scott faz com a obra.

O escultor é uma obra fascinante que fala sobre a arte homenageando-a da melhor maneira possível. Um tributo aos artistas, um ode aos criativos. Uma bela leitura a quem gosta de arte com qualidade. Arte de verdade, não as relativas. Arte do tipo que você daria sua vida por ela.

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