Mulher-Maravilha: A verdadeira importância desse filme

O filme da Mulher-Maravilha não é perfeito. Há diversos problemas que vão desde algumas pontas soltas no roteiro, bonecos digitais perceptíveis, erros de continuidade, cenas de ação mal editadas e entre outros. Mas este post não é uma crítica, este post é para falar da importância cultural deste filme.

 

Você já deve estar vendo todos os portais de cultura pop noticiando o sucesso do primeiro filme da Princesa de Themyscira. A crítica elogiando, bilheteria aumentando a cada dia já na primeira semana, o filme já é o mais comentado de 2017, e qual a importância disso? Vamos voltar no tempo um pouquinho.

Quem cresceu nos anos 2000 sabe que o que não faltou para o público masculino foram filmes de super-heróis. Desde o primeiro X-Men, a trilogia do Homem-AranhaBlade, a trilogia do Nolan até o início do Universo Cinematográfico da Marvel lá em 2008 (sendo que eu não mencionei os clássicos do Superman e as inúmeras adaptações de personagens de quadrinhos).

Enfim, existem muitos filmes de super-heróis, e o público nerd sempre quer mais, afinal quem cresceu lendo quadrinhos e assistindo estes filmes sabe o quão divertido era se identificar com estes personagens. Mas, espera aí, e o público feminino? Sempre tivemos a oportunidade de ver os nossos heróis mas e as heroínas? Enquanto tínhamos inúmeros heróis para vermos no cinema, o público feminino só tinha a Hermione de Harry Potter.

Sim, já houve super-heroínas no cinema, em seus próprios filmes como: Supergirl (1984), Mulher-Gato, Elektra… (Caraca, já teve um filme da Supergirl e você nem sabia !) Afinal, estas adaptações são ofensivamente patéticas de tão ruins. Já na franquia X-Men, apareceram Tempestade, Vampira, Jean Grey, Mística…  era legal mas sempre tinham potencial para mais, no fim eram personagens desperdiçadas.

Felizmente, personagens femininas na cultura nerd começaram a ganhar destaque, como as lendárias Ripley (Alien),  Sarah Connor (Exterminador do Futuro 2), Beatrix Kiddo (Kill Bill) e mais recentemente a Imperatriz Furiosa (Mad Max: A Estrada da Fúria), Rey (Star Wars: O Despertar da Força), Eleven (Stranger Things), X-23 (Logan)… personagens que se tornaram símbolo de força e passaram a ser aclamadas, tanto por homens e mulheres.

Uma personagem que recebeu destaque desde a explosão dos filmes de super-heróis foi a Viúva Negra, como coadjuvante em filmes do Homem De Ferro, Capitão América e em Os Vingadores, desde então surgiu uma esperança de um filme solo da personagem (e seria muito interessante !), porém a Marvel infelizmente deixou este barco partir.

Enfim, 75 anos foram necessários para finalmente criarem coragem  e levar a Mulher-Maravilha para o cinema. Demorou, mas finalmente chegou, mesmo tendo a introdução da personagem em Batman v Superman, ninguém queria ver apenas uma participação, e sim um filme inteiro.

A importância do filme já começa pela direção: Patty Jenkins (que dirigiu o ótimo Monster, de 2003) mostra que este filme não poderia ter sido feito sem a visão de uma mulher sobre uma personagem feminina tão icônica, mesmo que o roteiro e a produção tenham vindo de mãos masculinas, ela impede que haja objetificação e sexualização da personagem, Jenkins trabalha a relação de Diana e Steve Trevor com sutileza e um humor simples e inteligente, demonstrando que ambos sexos podem vencer lutando lado a lado (há uma piada que é um belo chute nas bolas dos machistas, e sim, é muito engraçada). Se haviam poucas diretores em destaque em Hollywood, eu só torço para que apareçam mais.

A escolha de Gal Gadot como Mulher-Maravilha revirou a internet em mensagens de ódio e indignação, especialmente por parte do público masculino, alegando que ela era magra demais, “nada a ver” com a personagem, que era apenas uma modelo com rostinho bonito integrante de Velozes e Furiosos, que seus seios eram muito pequenos… mas o engraçado é que ouvi pouquíssimas reclamações do público feminino, afinal era o que elas finalmente queriam ver, uma protagonista forte, inspiradora e não objetificada.

O carisma que Gadot transmite, a serenidade e a inocência no olhar de uma deusa em um mundo de homens, te prende o filme inteiro. Quem é que se importa com o corpo da atriz?

…ah mas ela podia ser mais cheinha e ter mais músculos”.  

Cara, a Gadot já foi do exército israelense e fez quase todas as cenas de ação sem dublê. Ah e ela teve que regravar algumas cenas enquanto estava grávida de 5 meses !

Fanboy, você precisa crescer, largue as revistinhas por um momento e saia do Rotten Tomatoes.

Pense na quantidade de meninas que vão crescer com este filme, fazendo a pose da heroína e tirando uma grande influência dele, e não digo só as meninas, os meninos também vão tirar um grande aprendizado do filme, sobre igualdade. Sim, é apenas um filme de super-heróis, é o melhor filme de todos? Não, mas nunca um filme do gênero significou tanto.

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