‘MINDHUNTER’: O QUE É REAL OU FICÇÃO NA SEGUNDA TEMPORADA

A segunda temporada da Mindhunter estreou, depois de dois anos de intervalo, no último final de semana. A série conta os primeiros passos do departamento de análise comportamental e psicologia criminalista do FBI e apresenta alguns dos crimes mais famosos da época.

A série da Netflix foi baseada no livro “De frente com o serial killer“, escrito por John Douglas, ex-policial do FBI e responsável pelas icônicas entrevistas, e pelo documentarista Mark Olshaker.

A série é amplamente baseada em fatos reais mas… O que é ficção e o que é real?

ATENÇÃO: Pode conter spoilers!

Real: Assassinatos de Crianças

A história dos assassinatos de crianças no estado da Georgia, como foi confirmado no final da segunda temporada da série, é real e aconteceu entre os anos 1979 e 1981. Pelo menos 28 crianças foram mortas em Atlanta, capital do estado americano. Todas eram negros e a maioria meninos, mas, seis adultos também foram vítimas.

Como mostrado na série, Wayne Williams foi condenado à prisão perpétua pela morte de dois adultos. Já pelos assassinatos das crianças e das outras vítimas, ninguém foi condenado até hoje.

Wayne Willians, na foto acima, logo após ser preso por assassinato.


Ficção: As identidades de Holden e Bill

Os agentes da série são baseados em homens que realmente existiram, mas as identidades e dramas pessoais (como os ataques de pânico de Holden) são fictícias. Holden Ford (Jonathan Groff) foi inspirado em John E.Douglas e Bill Tench (Holt McCallany) em Robert Ressler, agentes que realmente trabalharam no FBI no surgimento da na unidade de elite contra assassinatos em série.

Os termos usados em investigações de serial killers foram criados nessa época por eles e além de inspirar Holden Ford nesta série da Netflix, John E.Douglas também inspirou a caracterização de Jack Crawford nos livros de Thomas Harris e de Will Graham, na série Hannibal.


Ficção: A situação envolvendo o filho de Bill

O agente real Robert Ressler realmente foi casado e teve um filho, mas a história do filho adotivo do personagem inspirado nele, Bill (Holt McCallany), é apenas ficção. Nenhum daqueles dramas pessoais de fato aconteceram, muito menos envolvimento com o assassinato do bebê e a possível tendência a psicopatia de Brian (Zachary Scott Ross), mostrada na série. Provavelmente, os produtores aproveitaram a liberdade criativa para criar um arco mais denso para o personagem.


Ficção: A identidade da Dra. Carr

Assim como os principais agentes da série, a Doutora Wendy Carr (Anna Torv) também foi apenas inspirada em uma importante profissional real: Ann Wolbert Burgess, especializada nas consequências psicológicas de vítimas de crimes com motivações sexuais. Na vida real, Burgess realmente trabalhou com Douglas e Ressler nos anos 80 e ajudou a tornar as entrevistas com os criminosos em uma pesquisa de verdade com credibilidade.

A personagem é lésbica, mas a doutora real é casada com um Allen Burgess e tem dois filhos. Hoje, aos 82 anos, ainda dá aulas na Universidade de Boston.


Ficção: Kay Mason

Kay Mason (Lauren Glazier) é uma bartender que desperta interesse na Dra.Wendy e as duas vivem um romance na série. Ela é uma das poucas personagens a serem totalmente fictícias, sem ser baseada em nenhuma figura real. Na série, o caso das duas apresenta o grande preconceito e intolerância da época em relação a sexualidade.


FICÇÃO: A Identidade de Jim Barney

Em Mindhunter, Jim Barney (Albert Jones) se une a Holden e ao agente Bill para investigar o caso das crianças negras que estavam sendo sequestradas e assassinadas na Georgia. O agente Barney não existiu de verdade mas o personagem representa os oficiais locais que trabalharam no caso


Real: As entrevistas com os serial killers e os crimes deles

Todos os assassinos em série mostrados na série, até agora, realmente existiram e concederam entrevistas aos agentes reais. Alguns detalhes dos encontros mostrados nos episódios podem ter sofrido pequenas alterações, mas, as conversas, crimes e perfis dos condenados são reais.

CHARLES MANSON

Foi líder de uma seita hippie chamada “Família Manson” e o mandante do ataque que resultou em vários assassinatos em 1969, realizado por três seguidores. Entre as vítimas, a atriz americana Sharon Tate, que estava grávida de oito meses, foi brutalmente esfaqueada. Manson morreu em 2017 na Califórnia, aos 83 anos, enquanto cumpria prisão perpétua.

FILHO DE SAM 

David Richard Berkowitz ficou conhecido como Filho de Sam e o Assassino da Calibre .44 depois de matar seis pessoas e ferir sete com disparos de revólver efetuados aleatoriamente pelos vidros dos carros entre 1976 e 1977. Ele tinha preferência por casais e chegou a enviar cartas provocativas para as delegacias, que iniciaram a maior caçada policial de Nova York. Após ser preso, em 1977, o assassino afirmou que cometeu os crimes por estar seguindo ordens de um demônio que possuía o cachorro do vizinho. Nos anos 90 ele confirmou que essa história foi inventada por ele e hoje cumpre prisão perpétua aos 66 anos.

RICHARD SPECK

Richard Franklin Speck invadiu uma casa em 1966 e após amarrá-las, Speck assassinou oito das nove enfermeiras, que moravam em Chicago, com golpes de faca e estrangulamento. A única sobrevivente conseguiu fugir do massacre se arrastando para debaixo de uma cama. O serial killer foi preso e morreu aos 49 anos na cadeia enquanto cumpria prisão perpétua.

ELMER WAYNE HENLEY

Elmer Wayne Henley Jr. foi condenado por seis assassinatos em 1974. Mas, ele atraiu pelo menos 28 rapazes, entre 1970 e 1973, para que Dean Corll – outro serial killer – pudesse torturar, estuprar e matar os jovens. Dentre os assassinatos cometidos por Henley está o do próprio Corll, em 1978.  Henley está atualmente com 63 anos e cumpre prisão perpétua nos EUA.

WILLIAM HENRY HANCE

Hance, possivelmente, assassinou quatro mulheres na Geórgia e enviou, também, cartas para a polícia ameaçando matar prostitutas negras, mas foi pego antes desses outros crimes. Ele sempre se declarou inocente, mas, foi executado na cadeira elétrica em 1994.

PAUL BATESON

Paul Bateson foi condenado em 1979 pela morte de uma jornalista, mas a polícia e a promotoria de Manhattan acredita que ele também esteve ligado a alguns assassinatos de jovens gays, como nada foi provado, ele apenas respondeu ao primeiro crime. Antes disso, Bateson fez um bico no filme O Exorcista, de William Friedkin. Como ele foi solto em 2003, hoje não se sabe se o assassino está vivo, nem onde vive.

WILLIAM PIERCE JR.

Nos anos 70, Pierce cometeu nove assassinatos em menos de um ano, além de estuprar e assassinar uma menina de 13 anos. Ele foi preso em 1971.

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