As melhores piores séries que você tem que respeitar

Entre filmes e séries, na maioria das vezes, vou de séries. E isso é uma coisa assustadora de se dizer em voz alta.

 

Eu, que sempre fui um cinéfilo doente, preferir assistir a dois ou três episódios de uma das várias séries que acompanho (são mais de 45 que, graça a Odin, nunca estão todas no ar ao mesmo tempo) a escolher um filme pra assistir.

Mas calma, não me crucifique ainda, tem vários filmes que corro pra ver na estréia, ou fico ansioso até conseguir me esparramar na cadeira de um IMAX e, muitas vezes, me desligar da realidade por umas duas horas.

Não foram os filmes que perderam a qualidade – e nem vou entrar naquela discussão sobre Hollywood ter perdido a criatividade com o mar de reboots e adaptações, não se trata disso. Na verdade foram as séries que melhoraram muito com o passar dos anos. Lembro de quando as séries se dividiam entre novelões, sitcoms e séries de ação de produção duvidosa. Entre Supervick, Super Maquina, Manimal, Trovão Azul, Esquadrão Classe A, Gatinhas e Gatões, Ilha da Fantasia, Alf, Motolaser, Automan e tantas outras não tínhamos, nem de longe, a qualidade de roteiro, produção e pós-produção que temos hoje.

Eu acompanho séries ruins, medianas e boas. É, acompanho séries ruins sim. Acompanho Arrow, por exemplo. É ruim, assumo. É que meu humor vária, as vezes não estou a fim de pensar demais ou de um clima sombrio e policial. As vezes quero apenas desligar o cérebro. Ou ver como transpuseram alguns personagem do quadrinho para a telinha. Acontece.

Eu posso fazer isso. Quer dizer, acho. Joguei 2/3 dos episódios de séries que já assisti no Showrunner e descobri que já gastei 3.400 horas de minha vida assistindo séries. Minha dinâmica é diferente da do Castrezana, que atua avaliando a qualidade do que vê e orientando seu público, ou do Luíde, que filosofa sobre aquilo que vê, mergulhando de cabeça na série e envolvendo com ela. Pra mim não é trabalho. Nem tão pouco hobby. Pra mim, como deve ser pra você, é lazer e na hora do lazer a última coisa que quero é trabalho.

E, logo eu, fui convidado pelo Castrezana para contribuir com o site. Uma grande honra, confesso. Escolhi então como primeiro post falar sobre as melhores piores séries que eu acompanho ou acompanhei. Então chega de enrolar, vamos ao que interessa: vou listar aqui 5 séries “ruins” que vocês deveriam ver.


Strike Back

Do que se trata: a série acompanha a Sessão 20, um órgão da inteligência inglesa, que age pelo mundo combatendo terroristas e outras ameaças. Esqueçam a politicagem, romances e coisas do tipo, o foco é a ação, realista – na medida do possível. Tem, no máximo, o bromance entre os protagonistas.

Porque é ruim: a primeira temporada é até legal… mas eis que na segunda mudam os personagens principais e torna-se praticamente uma nova série. É, dá pra começar da segunda, que é muito melhor que a primeira, sem qualquer problema, mas é o tipo de série que o Luide não veria (“porque a série tem que ser boa já no piloto”) e nem tão pouco o Castrezana (que não aguenta mais de 3 episódios para decidir se vale ou não acompanhar).

Porque é boa: Strike Back foi baseada em um romance escrito por um ex-soldado da SAS e os atores precisaram passar por treinamento militar para interpretar seus personagens. Como resultado temos cenas de ação fodonas, bem mais realistas que o normal desse mundo de séries, e uma dupla de protagonista que tem uma química muito legal. A série não segue aquele esquema “caso da semana” e cada episódio é como um pequeno filme brucutu. Ah, tem uma pegada meio Game of Thrones e atores fixos morrem aqui e ali, sem dó.


Eureka

Do que se trata: uma cidade escondida nos EUA onde as mais brilhantes mentes do mundo levam uma vida “pacata” enquanto tocam pesquisas que podem mudar o rumo da humanidade, pro bem ou pro mal, já que sempre dá algum tipo de merda. Tudo muda quando um agente federal brucutu termina, por engano, encontrando a cidade e torna-se um xerife que tem resolver casos onde a ciência é, na maior parte das vezes, a vilã.

Porque é ruim: não é exatamente uma série de ação, não é exatamente uma série cientifica, é algo ali no meio, somado algum humor. Fora que dá pra ver que o orçamento não é dos maiores e o esquema termina ficando um pouco novelão. Bem cara de sessão da tarde.

Porque é boa: uma coisa bacana é ver como a série trata a ciência e a futurologia (?!), é divertido acompanhar como um sujeito bronco (o personagem principal) lida com todo o conhecimento avançado e convive com gente absurdamente mais inteligente que ele. Além disso vale assistir pra você ficar com aquele sentimento “ei, não é apenas na minha vida que tudo vira merda do dia para a noite“. É uma série divertida, juro.


Blue Bloods

Do que se trata: a série acompanha o dia-a-dia de uma família de Nova Iorque onde todos trabalham para a lei. O avó, ex-comissário aposentado, o pai, o atual comissário, os filhos, um detetive e um policial de rua e a filha, advogada da promotoria. Nas duas primeiras temporadas tentou amarrar os “casos da semana” em uma trama maior, terminou deixando pra lá. Todo episódio conta com 3 ou 4 plots diferentes que se desenrolam em cada um dos núcleos.

Porque é ruim: isso de “caso da semana” é um tanto chato, há um universo imenso ali que podia se desdobrar em uma história mais complexa mas eles optaram por um modelo novelão, que faz muito sucesso nos EUA e que é responsável pela renovação constante da série sem maiores preocupações do produtores. É bem mela cueca…

Porque é boa: porque apesar de ser um novelão é um novelão bem bacana. É interessante acompanhar a vida de uma família completamente surreal, onde todos são guiados por um extremo senso de justiça e igualdade. Fora que, pô, Tom Seleck e seu bigodão fazem o comissário tão motherfucker que colocaria Gordon no chinelo – afinal Gordon jamais saberia lidar com toda aquela política. Todo episódio eles são confrontados com um dilema moral e as saídas raramente são fáceis. O bigodão de Seleck já deveria ter levado o Emmy.


Limitless

Do que se trata: não é uma adaptação do filme, na verdade é uma continuação. No filme um escritor fracassado vivido por Bradley Cooper consegue por as mãos em uma droga que dá acesso a totalidade do cérebro, transformando o cara no homem mais eficiente da terra. Na série temos uma continuação, com um novo personagem (Bradley repete seu papel eventualmente), que tem acesso a droga e termina sendo obrigado a usar todo seu recém ativado potencial para ajudar a resolver crimes.

Porque é ruim: foi cancelada na primeira temporada – e pouca coisa pior que você se afeiçoar a uma série só para vê-la cancelada. Talvez a mudança na narrativa, muitas vezes lisérgica e maluca, e a retirada da ação (tem quase nada) tenha afastado o público original do filme. Tem ação, não tem ação. Tem humor, não tem humor. Você entendeu.

Porque é boa: a nova narrativa é bem legal, com um visual muito bacana, que ajuda a explicar como funciona o cérebro de nosso protagonista – que por sinal manda muito bem. Existe um caso maior, amarrado pelos “casos da semana”, e a história é bem intrigante. É leve, divertida e descompromissada.


Community

Do que se trata: um advogado trambiqueiro é obrigado a frequentar uma universidade comunitária (é um modelo que só existe nos EUA, que tem pouco prestígio, como nossa escola pública) quando descobrem que ele na verdade não tem o diploma. Lá o sujeito encontra uma fauna de perdedores que terminam se tornando seus amigos. Bobo? Podia ser a sinopse de um filme estilo Porks, né? Se bem que duvido que vocês saibam o que seja Porks.

Porque é ruim: tem muito cara de filme dos anos 80, com os papeis clichês e visual datado, além de, claro, contar com “casos da semana”. Isso sem falar do humor bem diferente do que você pode estar acostumado a ver. Mas…

Porque é boa: porque a série é cheia de referências bacanas, episódios malucos (e vários especiais), narrativa disruptivas, piadas inteligentes (e outras muito idiotas) e personagens muito legais. Não é uma série mainstream, tanto que já foi cancelada e voltou várias vezes por pressão de um grupo de fãs pra lá de apaixonados.


BONUS TRACK

– Discordo de Community nessa lista, é uma série muito boa.
– Eu sei, Castrezana, mas você é um cara inteligente, entende o humor da série, muita gente não entende, termina achando chata, boba, ruim…
– Isso é verdade.
– Não é uma série pra todo mundo.
– E você esqueceu de Galavant!

Pô, como eu posso ter esquecido de Galavant?! Vamos a ela.

Galavant

Do que se trata: contando fica até difícil de acreditar mas Galavant é um músical de humor que se passa na idade média e acompanha os feitos heróicos de… GALAVANT, nosso herói com sua barba perfeita, peitoral largo e voz de anjo. Um rei covarde, um megera, uma princesa, o escudeiro idiota, o vilão brutal, estão todos lá… cantando.

Porque é ruim: bem, é um musical, né? Não é exatamente o que esperamos ver quando vamos assistira a uma série medieval. Tem atuações que parecem canastronas – e algumas vezes são, dancinha no meio de batalhas e gente cantando a cada 6 ou 7 minutos. Não é pra todo mundo.

Porque é boa: porque é um musical! Ah, sério, dê uma chance. É diferente de tudo que você já viu, as músicas são muito divertidas e a história é bem legal. A série não perdoa nada, zoa com muita coisa do universo pop e até consigo mesma. Você terá a oportunidade de ver Vinnie Jones cantando, o mico mais legal da série. O episódio sobre a floresta encantada é sensacional num nível épico, impossível vocês não dar boas risadas quando descobrir porque os homens não voltam ao se perderem nessa floresta que tem Kylie Minogue como rainha.


Mas porque vamos ver se são ruins? Porque o conceito de ruim é bem complexo. Dizem que bom gosto é aquele gosto que é igual ao seu. Dê uma chance, assista uns dois episódios e depois volte para me agradecer ou esculhambar.

Aproveita e deixa aí suas indicações de séries ruins que deveríamos ver.

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