Into the Badlands: 2° temporada volta grandiosa mas desliza no simples

Desde de 2016 quando acabou Banshee, considerado por muitos, inclusive eu, a melhor série de ação da história. Acabamos por ficar órfãos de uma série que tenha como seu destaque as lutas. E não digo sobre as artes marciais em si, como Kingdom faz, mas sim sobre algo mais hollywoodiano, e eis que Into the Badlands a nova aposta do canal AMC surgiu para nos dar um suspiro.

 

SINOPSE: Numa terra controlada por barões feudais, Into the Badlands conta a história de um grande guerreiro e um jovem que embarcam em uma viagem através de terras perigosas em busca de sabedoria. Depois da queda das cidades e da sociedade como nós as conhecemos, os sobreviventes voltaram à vida no campo e formaram uma nova sociedade na qual os mais fortes prosperam e os mais fracos sofrem.

A 1° temporada constituiu-se em apenas 6 que foram bem consistentes, e cada um deles apresentava ótimas cenas de lutas e uma trama simples mas bem executada, deixando um cliffhanger na season finale que foi bem aproveitado na sua 2° temporada, como diria mais a frente.

O texto à seguir contém spoilers:

Já a 2° temporada tentou voltar mais grandiosa que a primeira, e até conseguiu, principalmente na execução de suas lutas – Onde agora tenta emular batalhas assim como é feito em filmes chineses, onde o lado místico ganha força e tem escalas maiores onde deixa tudo mais bonito de se acompanhar. Fato que ao meu ver, foi o ponto mais interessante incrementado nesta temporada. Mas em contra-partida dessa ascensão de grandiosidade, quiseram deixar a trama central muito mais séria, tentaram emular um peso maior que não existe na trama e acabou por nos proporcionar alguns momentos em que repetitivos e onde nada de importante acontecia.

O maior exemplo desses momentos repetitivos são as cenas com a Veil. Como sabemos ela foi raptada pelo Quinn e trancafiada no calabouço para não escapar com o seu filho Henry, mas pelo menos em 8 episódios vemos ela maquinar um plano de saída e tentar executa-lo em quase todos e sempre que cortava para cenas com ela, já sabíamos o que iria acontecer e vejo isso como uma preguiça sem fim dos roteiristas, principalmente nas maçantes cenas do M.K, que é interpretado pelo fraco Aramis Knight. Diferentemente dos plots do Sunny (Daniel Wu) e da Widow (Emily Beecham), que são trabalhados com excelência, dando profundidade à tais personagens e fazendo a cada episódios eles terem cenas grandiosas. O episódios 8 – Sting of the Scorpion’s tail, onde eles lutam lado a lado é o maior deleite da temporada, quem dera que tivesse acontecido mais disso.

Esta temporada também nos agraciou com um excelente personagem, o Baije (interpretado pelo Nick Frost), o gordinho que tem inspiração clara no Po do Kung Fu Panda foi a única adição de personagem nessa temporada e isso é pouco pelas pretensões que a série queria levar. Mas ainda assim, por causa dele que temos um dos sub-plots mais interessantes da série, que é quando por meio de um dos raros flashbacks, mostra que Baije foi mestre da Widow, uma revelação quanto tanto surpreendente e necessária, e assim faz nos levar a uma das melhores cenas da temporada, que é o encontro dos dois no episódio 6 –Black Heart, White Mountain.

O grande momento da temporada:

O encontro do Quinn com o filho dele, Ryder (Oliver Stark). De longe a sequência mais impactante e frenética da temporada, elevando o nível das atuações ao máximo possível e tento uma conclusão surpreendente com a morte do Ryder. O bom é que troce consequências à todos os núcleos, e por isso considero a cena de destaque da temporada.

Ainda na onda de acertos e falhas, uma das tramas que somos introduzidos é a dos Barões, onde tentam nos apresentar todos eles, mas a execução é muito falha, pois por episódios a fio faze-se muito suspense e quando chegou na hora, mal tivemos a chance de saber o nome de todos. Deixou mais uma vez a impressão que a série quer tentar de todas as maneiras provar que é maior do que realmente é. Problema esse que vem se alastrando cada vez mais na séries hoje em dia e me preocupa muito isso, porque a AMC já renovou a série para uma 3° temporada de 16 episódios, o dobro da temporada 1, e com a clara limitação criativa de expandir a história, temo pela perda de folego em breve e nos amargar um final ruim.

Sobre a season finale: Wolf’s Breath, Dragon Fire

Foi, com toda certeza, o episódio mais insano e satisfatório da série inteira. Enfim trouce o tão aguardado confronto entre o Sunny contra o Quinn em uma luta de tirar o fôlego, que apesar de ter sido um pouco exagerada, principalmente pela quantidade de golpes fatais que o ex-Barão levou e continuou vivo, não fez tirar tirou o brilho da sequência que culminou com a morte do Quinn, dessa vez, permanentemente! A parte triste fica pela morte da Veil, que por mais que não fosse a melhor personagem de todas, ela sofreu tanto e ao meu ver não merecia um final desses.

A trama da Widow ficou em aberto mas foi interessante ver todo o revés que ela tomou nessa reta final de temporada e parece-me que ela voltará como a grande antagonista na 3° temporada, já o Baije aparentemente conseguiu chegar ao seu destino na última cena do episódio e deixa um mistério sobre que papel que o personagem exercerá na próxima temporada.

Em suma:

PS: Este que deve ter sido um dos acontecimentos mais WTF de todos, a “não morte” do Quinn. Sim, ele foi o melhor personagem da série, teve sempre as melhores cenas e deve-se muito a excelente interpretação do –Marton Csokas-, porém a série nos deixou no escuro do por quê ele ainda está vivo, e quando trouce uma explicação, foi bem rasa, só provando que não conseguem aprofundar muito bem as tramas.

PS2: O cliffhanger da temporada passada mostrava o personagem do Kung Lee e isso me fez criar várias teorias sobre quem seria ele, se seria uma espécie de vilão principal da temporada mas no fim, ele foi mais um mero personagem badass mal aproveitado tendo uma morte com estilo mas repentina demais, para o que se sugeria que o personagem iria ser.

A conclusão que tiro disso tudo é que Into The Badlands se esforça erroneamente para ser algo maior mas sempre falha. Se a série se contentar-se em continuar na pegada da 1° temporada, seria muito mais completa do que é hoje, mas ainda assim entre tantos erros e acertos, faz o bastante para ser a melhor série de ação da atualidade e uma das mais divertidas no ar.

A série é transmitida aqui no Brasil pelo Canal AMC, só pacotes da operadora SKY possui o canal.

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