Guerrilla: A luta contra o incoerente roteiro

Matheus Pestana

Guerrilla é mais um clássico caso de série que tem uma proposta interessante mas falha na execução. E explico o do porquê digo isso.

 

A texto a seguir não contém spoilers e analisa apenas o 1° episódio.

Sinopse: Situada em uma das épocas mais explosivas da história do Reino Unido, Guerrilla conta a história de um casal politicamente ativo (Freida Pinto e Ceesay cujas relações e valores são testadas quando liberam um prisioneiro político e formam uma célula radical nos anos 70 em Londres a fim de atingir o Black Power Desk, uma verdadeira agência secreta de contra-espionagem que tentou impedir o ativismo negro.

A série até tem seus méritos, poucos mas tem. Exemplo disso é a ambientação muito fiel ao anos 70, a escalação de elenco e a premissa bem executada. O retrato da discriminação é feita de maneira interessante e ressalta que nem todos os discriminados são de fato pessoas do bem, a série nunca tenta dizer que nesse confronto de etnias há mocinhos e vilões. Vejo isso como um acerto pois anda surgindo produções nesse segmento deixando as história muito preto no branco, e tira o brilho, digamos assim nesse debate.

O que estraga a série é a fraca direção do John Ridley, fazendo que o 1° episódio seja demasiado longo, com várias cenas incoerentes seguidamente que deixa lacunas entre as próprias e a sensação que estamos assistindo a uma produção independente pobre é forte, e não uma da Sky Atlantic com a Showtime. Um dos maiores exemplos disso que cito está nas cenas em que o trio vai executar o plano de tirar o idealizador/político do movimento da cadeia e tudo acontece rápido e sem explicação, com muitos erros deixando tudo irreal, e a mesma coisa acontece na cena do hospital. Chega a ser engraçado de quão ruim é, e as atuações caricatas ajuda muito.

Outra coisa que chateia muito é a subutilização do Idris Elba (Kent), com certeza o nome de mais peso no elenco e que atrai muito gente à assistir a série, mas o personagem dele mal aparece e pelo menos nesse 1° episódio dá a entender que não sairá muito daquilo. É desapontante ter um ator desse porte e usar de tal forma. A impressão que passa é que ele é o rosto propaganda e nada mais. Falando sobre o resto do elenco, a Freida Pinto (Jas Mitra) cumpre bem sua função e Babou Ceesay (Marcus) também segue a mesma linha.

Em suma, Guerrilla até tenta mas não apresenta nada de novo e está repleto de furos e incoerências que tiram qualquer mérito que o 1° episódio possui. Definitivamente não vale assistir.

A minissérie possui apenas 6 episódios e foi produzido pela Sky Atlantic em parceria com a Showtime. Ainda não há previsão de estreia aqui no Brasil.

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