Gravity Falls: tudo que é bom deve ter um fim

A maioria dos desenhos animados não se preocupa muito com a finitude, sendo franquias intermináveis, que muitas vezes são canceladas sem aviso prévio ou estendidas sem necessidade, que se perdem com o passar de longas temporadas. E que bom que Gravity Falls não é assim e por isso deve ser assistida.

 

Gravity Falls – Um Verão de Mistérios (Gravity Falls, 2012), é um desenho do canal Disney Chanel criado por Alex Hirsh um dos roteiristas de As Trapalhadas de Flapjack (The Marvelous Misadventures of Flapjack , 2008) e Adolepeixes (Fish Hooks , 2010). O desenho teve apenas 2 temporadas com 20 episódios cada, totalizando 40 que foram ao ar de 2012 a 2016 (e mais alguns curtas para a TV).

O que torna Gravity Falls um desenho delicioso de se assistir é que ele tem um começo, meio e fim (pelo menos, por enquanto).

Do que se trata Gravity Falls?

A história é sobre dois irmãos gêmeos de 12 anos chamados Dipper e Mabel Pines.

Dipper é um garoto inteligente, esperto, curioso, nerd e que adora mistérios, enquanto Mabel é uma menina extrovertida, enérgica, otimista, engraçada, meiga e que encanta a todos ao seu redor. Os dois se complementam. As duas crianças são enviadas pelos seus pais que decidem que eles precisam passar as férias de verão com seu Tiovô Stan em Gravity Falls, Oregon.

O Tiovô Stan é um picareta que ganha dinheiro enganando turistas e que mora na “Cabana do Mistério”, um local que serve de  armadilha para lucrar sobre os turistas azarados que passam pelo local com suas histórias de paranormalidade e esquisitices questionáveis, que com o passar dos episódios, Dipper e Mabel descobrem que há realmente algo de muito estranho acontecendo lá envolvendo a  famigerada cabana e toda Gravity Falls: o local mais enigmático e cheio de bizarrices do mundo! Os gêmeos aprendem através de várias aventuras com a ajuda dos memoráveis coadjuvantes, enfrentam terríveis desafios e vilões para receber a maior lição: que devem confiar e apoiar sempre um ao outro para se livrarem de todos os problemas.

O que Gravity Falls tem de especial?

Comecei a assistir Gravity Falls despretensiosamente e acabei me apaixonando pelas personagens (algumas bem bizarras, por sinal)  desde os protagonistas aos ótimos coadjuvantes e irritantes antagonistas (Gideãozinho e Pacífica). Todos têm seus bons momentos, destaque para Bill Cipher e sua importância. É praticamente impossível não ser apaixonar por Dipper, Stan, Wendy, Soos, Waddles, Velho McGucket  e especialmente pela Mabel (favorita da maior parte dos fãs). Garanto que os admiradores de Hora de aventura (Adventure Time, 2010), Apenas um show (Regular show, 2010) e Steven Universo (Steven Universe, 2013) devem gostar bastante de todo esse clima de mistérios que permeia o desenho.

A animação – que inicialmente julguei ser boba e infantil por ser da Disney Chanel – apresenta um visual impecável com uma paleta de cores claras e vibrante, uma fotografia simples e bela como o desenho é. Possui também uma qualidade de roteiro que me deixou boquiaberto com seus inúmeros mistérios como séries tais quais Lost (Lost, 2004) e Westword (Westworld, 2016), criptogramas (Cifras de César, método Atbash e outros, que você consegue encontrar as respostas facilmente na internet ou você mesmo pode tentar desvendá-los, decodificando ou codificando no site oficial: http://themysteryofgravityfalls.com/) a serem desvendados ao final de cada episódios recompensando o espectador com divertidas mensagens e curiosidades.

Devo confessar que julguei precipitadamente e fiquei muito feliz ao assistir o episódio piloto e me divertir com as aventuras dos gêmeos Pines. O piloto me cativou desde o início e já me preparava para os 39 episódios seguintes para descobrir a maravilha de desenho que Gravity Falls é  e o porquê de existir uma legião de fãs fervorosos que ainda aguardam uma terceira temporada.

Ao iniciar a agradável canção tema de abertura de Brad Breeck “Made me realize”  já somos transportados para o mundo de mistérios do desenho com sua simbologia e influências (que muitos dizem ser Illuminati e Maçonaria), que já na abertura revela um dos muitos easter eggs (da aparição do Pé Grande em um frame). Mas não é só de easter eggs que vive Gravity Falls, há também muitas referências! E falo aqui de referências bem usadas da Cultura Pop. Referências diretas e indiretas. Muitas homenagens. Desde Twin Peaks (Twin Peaks, 1990), Laranja Mecânica (A Clockwork Orange,1971), Free Willy (Free Willy, 1993), Jurassick Park: O parque dos dinossauros (Jurassick Park, 1993), Alien: O oitavo passageiro (Alien, 1979), A dama e o vagabundo (Lady and the tramp, 1955), Mamma Mia! (Mamma Mia!, 2008) e a jogos de videogames como Street Fighter (Street Fighter, 1987), Donkey Kong (Donkey Kong, 1981), The Legend of Zelda (The Legend of Zelda, 1986) e ao jogo de RPG (Role Play Game) mais famoso do mundo, Dungeons and Dragons (Dungeons and dragons, 1974), cultura japonesa e afins.

Por que que Gravity Falls deve ser assistido?

Primeiramente, é um desenho para todas as idades. É divertido, dinâmico, e com personagens que se desenvolvem muito bem em 2 temporadas; onde séries com mais que isso não conseguem fazê-lo. Pode parecer uma trama simples inicialmente, mas não se engane que tem de tudo na trama, como viagens no tempo, ficção científica e batalhas incríveis contra criaturas das trevas.

É uma ótima animação que prova que a partir dos anos 2000 existem sim desenhos bons. Gravity Falls tem como o mistério seu principal direcionamento de enredo com muitos Cliffhangers  e  Plot Twist, todavia há muito mais do que isso. Existem momentos hilários e nonsense, de ação, muita aventura, filosóficos (com citação ao filósofo Jean Paul Sartre) e até mesmo drama, que pode arrancar uma singela lágrima até mesmo se você tiver um coração de pedra.

Mas se mesmo assim você ainda não está convencido(a) que deve assistir a esse sensacional desenho, eu apresento o meu melhor argumento: Gravity Falls tem um fim. Começo, meio e fim, para ser mais específico. Como toda boa história deve ter. Alex Hirsch, que além de criador, roteirista, e que também dubla alguns personagens do desenho disse em seu Tumblr  pessoal em 2016 que a decisão de encerrar a história foi dele. O que eu chamo de respeito aos fãs.

E isso é ótimo, sabe por quê? Porque acabou em seu auge. Sem muitas enrolações e fillers desnecessários que eventualmente desmotivariam quem assistia. A história se mantêm com qualidade do primeiro ao último episódio (com episódios bons, ótimos, memoráveis e alguns um pouco chatos, mas nada que desabone a obra como um todo), melhorando significativamente o enredo a partir da segunda temporada onde um tom mais sério é abordado e que permeia na maioria dos episódios até o catártico e emocionante último fechando Gravity Falls com chave de ouro.

Se você gosta de desenhos animados, faço um convite a conhecer um pouco da cidadezinha do Oregon cheia de mistérios e personagens divertidos e amalucados. Garanto que irá se inspirar com Dipper e sua procura pelo misterioso autor dos 3 livros, se divertir com as cenas engraçadas da Mabel, conhecer melhor o Tiovô Stan, o típico picareta que vamos aprendendo a amar a cada episódio, e ter momentos incríveis no verão que mudou a vida dos gêmeos Pine para sempre e que trará diversão para os seus dias! E quando terminar e desejar uma nova temporada, lembre-se que Gravity Falls sempre existirá para poder ser revistado, porque tudo que é bom deve ter um fim.

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