Estelar Negra? Sério?!

Não costumo me posicionar sobre as minipolêmicas do mundo do entretenimento, porque acho que o mundo precisa mais do que a minha opinião. É um baita contrassenso, eu sei, já que trabalho com comunicação e estamos na Era da Opinião, das Resenhas, dos Textões… MAS tem uma parada bem chata rolando, e que a gente precisa conversar direito.

 

Recentemente, saiu o anúncio que a atriz Anna Diop, que é negra, vai viver a exuberante alienígena Estelar, que é laranja, na nova série live action dos Novos Titãs.  Os fãs foram à loucura, no pior e melhor sentido da palavra. Teve quem não gostou porque “mudar a etnia de um personagem é heresia”, teve quem amou e fez festa e teve quem usasse o famigerado “cânone” para destilar preconceito. Acontece que agora a Cartoon Network nos deu a entender que a quarta (ou quinta) integrante das Meninas Superpoderosas também é negra. Pronto. Dá-lhe treta.

Não vou entrar no mérito étnico do problema. Estou supondo que, se você está aqui, sabe o que a palavra “representatividade” quer dizer. Se não, recomendo enfaticamente que vá dar um rolê, uma estudada, pra entender melhor o mundo.

Vamos falar de arte.

Arte, em resumo (e bota resumo nisso), é a utilização de uma técnica de comunicação (escrita, visual, audiovisual, rítmica, eletrônica e por aí vai…) a serviço da expressão humana. Há controversas e maneiras mais fáceis de explicar, mas basicamente reconhecemos como arte toda obra que usa de uma ou mais técnicas para expressar o que é do ser humano. Nossas paixões, necessidades, conflitos, dúvidas, sentimentos, whatever…

A arte pode tudo, exceto (talvez) se desvincular do que é humano. E como somos criaturas sociais, quase toda obra de arte é uma tentativa de se comunicar com a sociedade ou parte dela. Por isso costumamos dizer que uma boa obra de arte é aquela que se comunica melhor com seu público/nicho.

Tá, e daí?

E daí que quando falamos de cultura pop (lê-se cultura POPULAR), isso é elevado à enésima potência. Popular significa – mal e parcamente – para todos. E TODOS não é só você e seus pares. É também a sua vizinha evangélica, o seu coleguinha japonês, a sua coleguinha negra. Quanto maior o público que uma obra quer atingir, maior a diversidade que ela terá que atender. Por quê? Porque PESSOAS SÃO DIFERENTES.

“Ah, mas você gostaria que o Batman fosse negro?”

Não é essa a questão. O que eu gostaria é que um fã negro pudesse ter a mesma sensação que eu, que sou branco, tenho quando brinco de me colocar no lugar do Homem Morcego. Quando sou inspirado por um super-herói, quase nunca preciso abstrair tanto quanto um amigo ou amiga negros precisam. Entende o problema? Se bem que,  vamos combinar que Idris Elba faria um Batman incrível!

Pra encurtar a questão. Dentre as muitas funções da arte, uma é  instigar nossos costumes e desafiar o status quo. E é exatamente isso que a Marvel fez nos anos 60, que Star Wars está fazendo e que a DC e a Cartoon Network farão com Estelar e as Meninas Superpoderosas.

Se você ainda não entendeu isso, pode tirar o brasão de Hogwarts da sua jaqueta e queimar sua coleção dos X-Men. Não há contradição maior do que  fãs de uma arte tão subversiva se comportando como vovôs e vovós do século passado. Mas como disse, pessoas são diferentes. Tem de tudo por aí.

E se você for um adulto que ficou triste porque mudaram a etnia do seu super-herói ou personagem favorito, alegando que “destruíram a sua infância”, um conselho: Procure tratamento.

Vamos falar de coisa boa?

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