ESPECIAL 25 ANOS: A LISTA DE SCHINDLER

Falaremos sobre o filme de grande importância, até vital para o currículo do enigmático diretor Steven Spielberg. Tanto que volta a ser reexibido – em menor escala, porém de modo mundial – nas salas especificas, com novo cartaz e trailer comemorativo, com cópias da película remasterizadas. Está previsto para o dia 1º de Maio, deste ano.

ENREDO

 Sob ocular de uma história real, fala-se sobre Oskar Schindler – um empresário alemão católico – que comprou uma fábrica que produzia utensílios esmaltados, e que agora eram exclusivas ao Exército alemão. Então, Itzhak Stern – que era do Conselho Judeu da Cracóvia – o convenceu  a contratar judeus por conta de mão de obra barata e eficiente, sob a alegação de que eram essenciais para a iniciativa guerra alemã. Assim, Schindler interviu-se por eles quando eram submetidos à diversas condições brutais e maldosas do campo de concentração de Plaszow, através de subornos e diplomacia pessoal com os militares.

Schindler, em outubro de 1944, obteve autorização dos alemães para transferir a fábrica para a cidade de Morávia, e seu assistente elaborou diversas teses de uma lista, que abrange nomes de 1.200 prisioneiros judeus – número necessário para o trabalho nesta nova fábrica. Assim, entre os judeus, ficou conhecido como ‘A Lista de Schindler’. Com isso, abdicou de toda fortuna que ganhara para salvar a vida de milhares em plena luta contra o extermínio alemão.

Foi baseado no romance ‘Schindler´s Ark’, de Thomas Keneally – com relatos de Poldek Pfefferberg, que foi uma das pessoas salvas pela lista de Schindler. Portanto, é baseado em fatos.

FICHA TÉCNICA

  • Título Original: Schindler’s List (1993)
  • Roteiro: Steven Zaillian
  • Produção: Universal Pictures, Amblin Entertainment
  • Direção: Steven Spielberg
  • Trilha Sonora: John Williams

 ELENCO PRINCIPAL E SEUS PERSONAGENS

  • Liam Neeson (Oskar Schindler)
  • Ben Kingsley (Itzhak Stern)
  • Ralph Fiennes (Amon Goeth)
  • Caroline Goodall (Emilie Schindler)
  • Embeth Davitdz (Helen Hirsch)
  • Mark Ivanir (Marcel Goldberg)
  • Andrzej Seweryn (Julian Scherner)
  • Elina Löwensohn (Diana Reiter)
  • Erwin Leder (Waffen SS Officer)
  • Olaf Lubaszenko (Auschwitz Guard)
  • Wojciech Klata (Lisiek)

PRÊMIOS

Oscar (1994)

Venceu nas categorias de Melhor Filme (Steven Spielberg), Melhor Diretor (Steven Spielberg), Melhor Roteiro Adaptado (Steven Zaillian), Melhor Trilha Sonora Original (John Williams), Melhor Montagem (Michael Kahn), Melhor Fotografia (Janusz Kamiński) e Melhor Direção de Arte ( Ewa Braun/Allan Starski).

Globo de Ouro (1993)

Venceu nas categorias de Melhor Filme-Drama (Steven Spielberg/Gerald R.Molen/Branko Lustig), Melhor Realização (Steven Spielberg) e Melhor Roteiro (Steven Zaillian).

BAFTA (1994)

Venceu nas categorias de Melhor Filme (Steven Spielberg/Gerald R.Molen/Branko Lustig), Melhor Diretor (Steven Spielberg), Melhor Ator Coadjuvante (Ralph Fiennes), Melhor Roteiro Adaptado (Steven Zaillian), Melhor Trilha Sonora (John Williams), Melhor Montagem (Michael Kahn) e Melhor Fotografia (Janusz Kamiński).

SOBRE O NAZISMO E O CONTEXTO SÓCIO-POLÍTICO DA ALEMANHA

O Nazismo, abreviação de Nacional Socialismo, é o nome de uma ideologia política, em sua essência racista, na qual foi amplamente disseminada pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. No início da década de 1920, Adolf Hitler assume a liderança e dá outro nome a ele: Partido Nacional Socialista ou Partido Nazista. Hitler era austríaco, nasceu em 1889 e foi soldado durante a Primeira Guerra Mundial e, ao seu fim, associou-se ao partido – assim como uma grande parte dos alemães, de todas as classes sociais.

Os principais objetivos do partido eram a união dos alemães, a expulsão de estrangeiros e tornar a Alemanha n’um poderoso país bélico, com um vasto território. Foi tentado, em vão, um golpe de Estado em 1923, com a participação de Hitler e seus aliados. Com a consequência, veio a sua prisão, e foi durante o seu tempo na cela que se fez sua biografia – denominada Mein Kampf. A obra, proibida até hoje em muitos países, delineou o antissemitismo e o anticomunismo.

O Partido Nazista foi ganhando forças e adeptos de suas resoluções políticas em 1932 – apoiado pelo voto de 38% do Parlamento -, e em um novo golpe de Estado, Hitler se declarou Presidente, Chanceler e Führer.

O Regime Nazista durou entre 1933 a 1945, e foi instituído pelo Hitler por meio do Terceiro Império – ou Reich, como preferir. Uma das características marcantes da filosofia política nazista foram as propagandas, disseminadas dentro e fora da Alemanha. Como em qualquer regime autoritário, o governo censurava e controlava emissoras de rádios, imprensas e produtos artísticos – isto é, músicas, artes visuais, teatro.

É considerado, sem rodeios, um regime fascista por ter diversas características primordiais para a sua manifestação completa: ser autoritário, concentração total do poder, glorificação de um líder, exaltação da coletividade nacional, expansão de territórios, controle dos meios de comunicação. Sem contar as filosofias como racismo, xenofobia, nacionalismo e o antissemitismo. Buscava uma criação de uma sociedade homogênea, na qual existiria uma hierarquia racial – tais termos como ‘raça superior’ ou ‘raça ariana’.

Nazismo era um movimento de extrema-direita, na qual a sua natureza é distinta da direita liberal e democrática. Mas também tinham um ponto crítico em relação ao capitalismo, como também à socialismo marxista. Hitler queria fazer um tipo de socialismo, porém nacionalista. Rejeitavam o que era a direita tradicional da época e também à esquerda que estava se estabelecendo. Portanto, mostravam-nos que era o terceiro caminho ideológico – o que não mais ocorreu pós-Segunda Guerra Mundial (apesar de ressurgir alguns grupos menores que se simpatizam pela ideologia nazista).

ENSAIO FINAL SOBRE O FILME ‘ A LISTA DE SCHINDLER’

Sobre o que falar de A Lista de Schindler, um filme cult sobre o Holocausto e a sua primazia de sintetizar uma das histórias mais marcantes em uma época que eclodia uma guerra iminente, sob a fome de poder e ganância do seu líder Hitler?

A ausência de cores, a meu ver, retrata n’uma ausência de esperança – um quadro de retratações usuais que impactam visualmente, enquanto solenemente buscava vigorar a razão de toda bestialidade difundida pela Alemanha – da qual o povo alemão o apoiava pela simpatia e a revigorada contrassenso de Hitler.

O maestro John Williams, na sua conduta de grande operador de sons imagináveis (e inimagináveis), conseguiu também a proeza de silenciar em certas cenas. O eco dos disparos, a dissonância do terror atrelado à uma voz ativa de socorro, transformam certas cenas dramáticas em um percussão de armas – no maior delito criminal possível.

As nuances profundas, pela visão de judeus, imploram por uma resenha de um ‘quase’ documentário, propositalmente pelo Spielberg. Com um roteiro predominantemente seguido à risca, pela obra de Thomas Keneally, Spielberg flagra com sua usual especialidade de transcender sobre temas tão espinhosos, e buscar uma visão mais ampla do que acontecera naqueles fatídicos dias longos, tristes e perversos.

Spielberg guiando um dos atores em cena

As magníficas interpretações de Neeson, Kingsley e Fiennes transformam em um filme imprescindível, uma obra prima que nos mergulha em uma das eras mais sombrias da humanidade . O simbolismo da montagem em preto e branco, e os poucos toques de cores corroboram para uma reflexão de maior expressão, na qual a cada detalhe nos diz muito.

Indispensável para qualquer fã de cinema, na qual o filme abriga um rigor histórico elevado, e que nos envia uma mensagem de esperança – quando a esperança parece não ter lugar, não ter a posteridade de qualquer contínuo de humanidade. Um primor de centralidade artística, que nos diz a condição de quem está no poder, e a quem está abaixo dela. Assim, sabemos: todo totalitarismo é um câncer que devemos extirpar de toda espécie – e fazer da paz, nosso melhor e único caminho.

“- Senhor, há 1.100 pessoas que te devem a vida. Olhe para elas.

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