CRÍTICA: YESTERDAY

Yesterday, all my troubles seemed so far away (…)”. Diante de uma letra poderosa, o quão graça teria a não-existência de uma maior banda de rock de todos os tempos? Esta é a premissa, de um modo curioso e cativante.

 

Yesterday, basicamente, conta a história de Jack Malik (Himesh Patel), um músico que fracassara em suas tentativas autorais de suas músicas, e da Ellie (Lily James), uma amiga e empresária de longa data, que apoiara todos estes anos – mesmo tendo um certo desdém pela qualidade das canções. A relação amistosa cria-se um vínculo que sobrepõe a familiariedade dos sentimentos, deitando-se nas suposições amorosas – mas nunca encontradas nas palavras de ambos, até então.

E em um certo dia, houvera um apagão global, na qual Jack dirigia sua bicicleta, n’uma noite. E lhe foi atingido por um ônibus, quando não havia qualquer possibilidade visual. E a partir disto, algo estranho aconteceu após a volta da energia no planeta: The Beatles deixou de existir no vocabulário e no imaginário popular.

Sob a direção de Danny Boyle (Quem Quer Ser Milionário?, Trainspotting), ele tenta mesclar a aura de comédia romântica com uma sequência musical, de um modo que não pareça forçado ou desinteressante. Com uma vasta incrível das canções de Beatles (autorizadas pelo Sir.Paul Mc Cartney e Ringo), o longa transporta a incrível sensação de ouvir-la pela  primeira vez, através das reações genuínas de seus familiares e amigos mais próximos. Impossível não cantarolar juntos…

No tocante do enredo, vale dizer que – intimamente – Jack Malik precisaria lembrar das letras e isto é um dos pontos fortes. Com uma analogia das metáforas encontradas em uma canção emblemática de John Lennon, por exemplo, o longa recria imagens com algumas situações que aderem a tal letra, tornando agradável de assistir. E assim segue a rotina de recriar um setlist de maior respeito, vendo o passo-a-passo da re-criação e na sua angústia de ter que usar as canções que, propriamente, não as criou. A participação de Ed Sheeran, como ele mesmo, tem uma das melhores decisões criativas que geram estranhezas. E, de fato, é bem engraçado.

Enquanto tudo acontece, o enredo consegue nos fazer repensar mais longe – criando um ambiente onde Jack e o personagem inesperado se encontram em uma realidade alternativa. É emocionante, que faz o coração esquentar por ver-lo de uma forma diferente, e tem um discurso/monólogo reconciliador. Um ato revolucionário para dentro das intrigas emocionais de Jack, que leva ao terceiro ato no seu maior clímax.

Yesterday é um longa agradável, de uma premissa incrivelmente inspirada e de um roteiro ágil – escrito por Richards Curtis – que concilia drama, música e surpresas, com ótimas atuações. Tecnicamente, não é o melhor filme – mas é compreensivelmente emocional e obrigatório. O mundo é possível sem os Beatles? Sim. Mas quão ruim seria viver sem Beatles…

Yesterday está em cartaz nos cinemas.

 

 

 

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