CRÍTICA: TURMA DA MÔNICA – LAÇOS

Baseado na graphic novel Laços, dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi, o filme Turma da Mônica encontra-se na sua versão live action, recriando elementos naturais do universo dos quadrinhos de Maurício de Sousa. Na diferenciação entre a graphic Laços com o referente filme, está no comportamento do roteiro enquanto dirigido pelo excelente Daniel Rezende (Bingo): buscou diminuir a carga dramática e sombria da HQ, e elevou consideravelmente o espírito dos quadrinhos existencialistas – incluindo personagens que sequer estão na HQ. O que torna um filme leve, descompromissado, e com uma mensagem a se dizer.

 

A narrativa envolve os quatro principais personagens, entre eles: Cebolinha (Kevin Vechiatto), Cascão (Gabriel Moreira), Magali (Laura Raseo) e Mônica (Giulia Barreto). Ao notar pelo desaparecimento do Floquinho, causado pelo suspeito ainda desconhecido, Cebolinha faz plano com a turminha para o seu resgate. Um enredo simples, moldado pela ingenuidade e a perspicácia em buscar a solução, em união.

Em busca do Floquinho, no Bairro do LimoeiroMônica, Magali, Cebolinha e Cascão.

Experiente com a montagem, Daniel Rezende explora o que há de melhor: planos longos, cenografia impecável – percebe claramente se tratar do Bairro do Limoeiro, n’um nível fino de absurdo e cuidado estético: cores fortes, casas de estrutura simples com cercas de madeira, muitas árvores, carros antigos – ambientação que assemelha à década de 70 (talvez pela ambientação natural quando o desenhista Maurício de Sousa se dispôs a fazer, na época – e recorre até hoje). E, com rico e avassalador universo dos quadrinhos, é transportado para a tela de cinema – e quão bom é o seu enquadramento. E, com isto, aparecem os personagens icônicos que já conhecemos: será uma overdose de nostalgia para os adultos. E, para as crianças, a novidade.

Com o roteiro de Maurício de Sousa e Thiago Dottori, mostra-se a eficiência quando elabora todas as sequenciais de modo aleatório, como se os quadrinhos partissem de movimentos em quadro-a-quadro, de modo fluído e sem exageros. Exemplo? Na cena inicial do filme, mostra o plano do Cebolinha – acompanhado pelo Cascão – em capturar o coelhinho da Mônica, o Sansão. E como é de costume, tudo dá errado, e dali parte para a trama, reencontrando com outros personagens como Titi (Cauã Martins) no seu xaveco habitual. Nascendo, então, diversos easter-eggs da turminha mais querida do Brasil – e terá que ter a observância para notar diversos elementos. Há até cameo de um certo desenhista, levemente inspirado no Stan Lee em seus respectivos filmes.

Dentre todos os personagens, levo em destaque o personagem Louco, interpretado pelo Rodrigo Santoro. Aparecendo em um momento invasivo na vida do Cebolinhaesquizofrenia? -, o Rodrigo Santoro dá um show enquanto interpreta o Louco. Com caras e bocas inventivas, Louco tem algo a dizer: uma bela mensagem que fará Cebolinha avançar na trama.

Louco (Rodrigo Santoro) ditando seu ritmo alucinado com o Cebolinha (Kevin Vechiatto)

De todo modo, o vilanesco é um pano de fuga – para poder explicitar a denúncia sobre os maus tratos com os animais, no abandono físico de perdas e no uso discriminatório – e ilegal – para testes de produtos estéticos. E, por elas, rodeiam a principal: a amizade, a lealdade e o comprometimento emocional de cada integrante, embora suas diferenças: a Mônica é a mais forte, Cebolinha é o mais inteligente, o Cascão é o mais precavido e a Magali é a mais compulsiva de todos. Sabem que, juntos, podem contar com um final feliz.

Turma da MônicaLaços é um filme esteticamente bonito, bem filmado, com grandes mensagens a serem ditas. Estritamente infantil, agradará os pequeninos e também alimentará a nostalgia dos mais velhos – que investiram um bom tempo nestes personagens. Um filme brasileiro que conseguiu captar a essência dos quadrinhos, sem ser medo de ser feliz. Por isso, já se torna o melhor longa infantil brasileiro já feito – de longe.

Turma da MônicaLaços já está em cartaz nos cinemas.

 

 

 

Vamos falar de coisa boa?

O site Nerd Rabugento é independente e não depende de patrocinadores para existir. E toda contribuição que você fizer será muito bem vinda, seja com o valor que for. Com apenas um real você já ajuda e mantêm o site independente.

A independência do conteúdo do Nerd Rabugento depende de você. O seu apoio pode ser tanto mensal quanto feito apenas uma vez, com qualquer valor. Escolha um dos links abaixo e faça o site Nerd Rabugento crescer ainda mais rápido!

QUERO APOIAR ➜     QUERO CONTRIBUIR ➜