CRÍTICA – TEMPORADA FINAL DE DARK (NETFLIX)

DARK – série alemã original da Netflix – chegou ao seu ápice na terceira e última temporada. Com a incrível contextualização de teorias científicas – tais como paradoxos, Gato de Schrödinger, realidades paralelas, multiversos – a série imprimiu o seu melhor roteiro sci-fi com um final poético, desatando todos os nós paradoxais existentes.

 

Com oito episódios, de uma média de uma hora de duração, é concebida-nos todas as respostas, enquanto procriam outras perguntas, que – no final – são limadas de forma progressiva. Na idealização da direção e roteiro de Baran Bo Odar/Jantje Friese, construíram – de forma ordenada – toda a situação da cidade fícticia de Winder, na Alemanha e assim, seus familiares (a saber, as famílias Kahnwald, Nielsen, Doppler e Tiedemann). E os desdobramentos, entrelaçados entre eles, começam-se a revelar seus segredos.

A terceira temporada de DARK começa com a cena da chegada de Martha 2.0 ao mundo de Jonas, da qual Jonas/Adam foi o causador da morte de Martha 1.0, no instante em que o Apocalipse acabara de acontecer. Ela o leva para o seu mundo, da qual ele próprio não existe – e assim engata, sem freio de mão, para o abismo existencial de toda esfera. Pois os dois mundos começam a se co-existirem ao mesmo tempo.


(Aqui abordarei o último capítulo de DARK, com alguns SPOILERS. Fica por conta e risco do leitor.)

A série tem a ambição de denotar várias frentes – a cientifica (viagem no tempo), a religiosa (Adão e Eva), a ficção cientifica (linhas temporais e paradoxos), a filosófica (a vida e a morte, o ínicio e o fim) – entrelaçadas em todas as linhas temporais existentes. Com os nós paradoxais, criam-se um vinculo vicioso, de tal denotam todas as prerrogativas para que – tanto o mundo de Jonas quanto a de Martha – coexistissem ao mesmo tempo (e também não ao mesmo tempo). Aqui explica-se o Gato de Schrödinger.

Assim, Jonas e Martha é o responsável por todos os ciclos, embora não seja a causa em si. Na busca de ansiar a vontade de estar vivo no mundo – e precisando desvincular, para voltar a “normalidade” – Jonas/Adam e Martha 3.0 usam a mentira como escape, p’rá colocar todos os peões numa mesma peça de xadrez. Porém, quando Jonas/Adam descobre que há uma brecha para que realmente aconteça, através da Cláudia – após a tentativa frustrada de eliminar Martha 2.0 – ele decide deixar Jonas guiar pelo seu desejo. Não por uma escolha, mas pelo inevitável: “o homem é livre para fazer o que quer, mas não para querer o que quer”.

E é retornando ao ponto inicial de algum passado de H.G.Tannhaus que tudo se conecta, o ínicio catalisador – onde é na dor que opera o milagre, ao evitar a morte de seu filho. A tragédia shakesperiana tornou-se Jonas e Martha 2.0 a se sacrificar pelo bem maior, o amor que une os dois: “nós somos o par perfeito, nunca duvide disto”. Também é uma tragédia gênesiana, da qual o fruto da Martha (amor) e Jonas (determinismo x livre arbitrio) os fez espulsos do “paraíso” e foram para “do pó viestes, e do pó retornarás”. Pois, ao evitar a morte do filho de Tannhaus, o ciclo se quebra e seus efeitos colaterais desmiuçados. E todas as linhas temporais são desfeitas, uma a uma.

Como diria Jonas/Adam: “o paraíso é uma escuridão completa”, que é o que acontece no final – onde o mundo de Jonas e mundo de Martha não coexistem mais, quebrando ciclos. E na última cena, é mostrado um jantar, com alguns familiares, que nos dão a resultado final deste ‘sacríficio’. A saber:

Ulrich, Charlotte e Mikkel não estão à mesa, simplesmente porque não existem nesse mundo.

Ulrich não existe porque Tronte não existe. Tronte não existe porque seus pais eram Agnes e o ‘homem sem nome’. Agnes/Noah não existem porque eram filhos de Bartosz – viajante do tempo – e da filha da Hannah – viajante do tempo.

Charlotte não existe porque Noah, seu pai, não existe. Sua mãe também não existe, porque ela é sua própria filha. Ela também não existe porque a neta do Tannhaus continua viva, então não a substitui.

– E Mikkel não existe porque é filho de Ulrich, que não existe. Assim como Mads, Magnus e Martha.

– E,por fim,  Regina não é filha de Tronte – senão ela também não existiria. Portanto, continuou viva conforme os anseios da Cláudia. E existirá um outro Jonas, que não é o mesmo daquele mundo.

DARK é uma série coesa, bem produzida e que explora, na última temporada, a forma poética em seu maior final – de que ‘o começo é o fim, e o fim é o começo‘.

DARK está disponível na Netflix.

 

 

 

 

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