CRÍTICA: TED BUNDY – A IRRESISTÍVEL FACE DO MAL

Em maior parte das biografias visuais, – baseando em documentários – tem as relações sociais como um príncipio ativo p’rá condensar a (im)parcialidade entre o que pode se considerar como um fato ou uma suposição. Sendo assim, posso afirmar firmemente que o filme ‘Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal‘ peca em distanciar todos os pormenores em que ele causa…não se estranhe ao sair do cinema, com aquela sensação de que a produção seguiu fidelizar apenas um ponto de vista, e com a audácia de não mostrar-las as atrocidades em que ocorreu.

 

O longa retrata Ted Bundy (Zac Efron), serial killer que matou – pelo menos – 30 mulheres em sete estados norte-americanos durante a década de 1970. O foco principal será a relação disfuncional entre o assassino e sua namorada, Liz Kloepfer (Lily Collins), que durou sete anos. Aliás, o longa se baseou no livro ‘The Phantom Prince: My Life with Ted Bundy’ , de Elizabeth Kendall. Com isto, o filme recorre à um ponto de vista, sem ter o medo de desfigurar a real personalidade do personagem principal.

O maior problema do longa seja justamente propor a ambientação mais ‘leve’, com uma visão mais conservadora. Isto cria uma (in)desejável violação na construção de um personagem que, embora seja marcante pela boa atuação de  Zac Efron, glamouriza o fator de sua beleza, carisma e habilidade social em favor do Ted Bundy. É uma maneira estética de sobrepor a falta de informação sobre o personagem, porém teus crimes são explorados em documentários, livros e reportagens investigativos no mundo todo.

O diretor Joe Berlinger – um excelente documentarista, que dirigiu o mesmo tema em ‘Conversando com Serial Killer: Ted Bundy‘, ainda em catálogo da Netflix – faz do seu apelo omisso ao criar ritmo que se assemelha a um documentário, mas sem nenhuma eficácia no enredo. E deslancha a construir a humanidade vísivel em torno de um considerado serial killer, resultando no incômodo sentimento ao público: de que algo está errado.

Por entre acertos e erros, o longa ‘Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal‘ é um exemplo de cinebiografia que – embora seja bem feita – lhe falta explorar todos os maneirismos e subentende-se tratar de um longo documentário ficcional, sem nenhum compromisso com a condensação da realidade em torno do personagem principal. Prefira a versão do livro ‘Ted Bundy – Um Estranho ao Meu Lado‘, de Ann Rule, em suas indefectíveis seiscentas páginas com um aprofundamento histórico, sempre direcionando um lado: serial killer é serial killer, sem margem de erro.

Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal‘ já está em cartaz nos cinemas.

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