Crítica: Rampage – Destruição Total

As investidas cinematográficas em adaptações de videogames passaram de incógnitas a esperados desapontamentos, por parte de fãs, crítica e público geral. Recentes produções, como Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos Tomb Raider: A Origemreforçaram tal percepção ao falharem na estruturação básica de um filme (direção e roteiro) e aterem-se ao simples fan service.

 

A problemática de não imergir o espectador – como a jogabilidade o faria – talvez tenha sido o pontapé para a produção de Rampage – Destruição Total, afinal, uma franquia baseada na simples e pura diversão de monstros destruindo cidades inteiras poderia atrair grande público (por todas as temáticas trabalhadas) e proporcionar o mesmo êxtase ao ver em grande escala o caos da situação (e realmente divertir quem o assiste).

Após um fracassado experimento genético atingir certos predadores ao redor do globo, o gorila George, sob os cuidados do primatologista Davis Okoye (Dwayne Johnson), desenvolve uma mutação anormal, tornando-se um verdadeiro monstro e ameaça a todos. Cabe a Davis, ao lado da geneticista Kate Caldwell (Naomie Harris), impedir a iminente catástrofe – combatendo além do primata, jacaré e lobo mutantes.

Dado o absurdo de sua premissa, Rampage – Destruição Total já é concebido de forma falha por não se decidir entre o tom cômico e exagerado ou a seriedade e tentativa de desenvolvimento dramático. Não que um anule o outro, mas o filme, desde os instantes iniciais, não estabelece desenvoltura para o equilíbrio necessário. As investidas cômicas (as quais parecem tiradas do repertório de Rob Schneider) causam constrangimento, agravando-se ao decorrer da projeção. O disforme tom acaba não transitando naturalmente entre momentos de sobriedade às oportunidades de galhofa.

De tal forma, os personagens acabam ficando reféns da estupidez narrativa. Construídos somente a fim de justificarem escolhas e ações para o andamento da trama, sem grandes efeitos além do fio principal, não há envolvimento entre estes e o carisma necessário para cativar o espectador. Eles vão e vêm, de acordo com a necessidade do roteiro – como as constantes citações do desapego de Davis em relação aos humanos ou o plano imbecil dos vilões (lembrando a Equipe Rocket de Pokémon) destinado a atrair os monstros à cidade. Somado a isso, o próprio ritmo do longa, ao manter a ação no páreo, prejudica o afeiçoamento.

O confronto final entre as três feras, ainda que enérgico e empolgante, não compensa a uma hora e meia anterior, que circula entre parvoíces e ação má localizada em tela. Priorizando a intensidade dos combates, os planos pouco exploram a (des)proporção dos mutantes aos elementos humanos e a grandiosidade de suas sequências. A cena de apresentação de George já afetado pela substância, por exemplo, aposta num óbvio contra-plongée mas sem efeito algum ao cortar Davis do quadro, ou forçando a planos fechados as cenas em campo aberto (pouco explorando os bons efeitos especiais das criaturas).

A tentativa de tornar Rampage – Destruição Total um típico blockbuster é tamanha ao ponto de heroificar as ações dos protagonistas, ao exibir (os sumidos, até dado momento) civis e militares correndo (em câmera lenta, claro) em meio aos destroços e abraçando seus familiares. São momentos como este, emplacando convenções desnecessárias ao projeto, que exibem sua real ineficiência. Com um grande potencial de entretenimento, a combinação de filme-catástrofe e monstros esbarra na tentativa de imprimir algo além da ação e aventura desmiolada, herdando os piores erros de cada subgênero trabalhado – sendo repetitivo e pouco divertido.

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