CRÍTICA: O HOMEM INVISÍVEL

Baseado na obra de H.G. Wells, de 1897 – mas de livre associação cultural – o longa O Homem Invisível (The Invisible Man, 2020, EUA) entrega, de forma aterradora e sutil, o fator de um deliberalismo no tocante em que envolve a vítima: enquanto opressor opera as suas tendências, a vítima é ignorada por completo – por quem deveria lhe proteger. Isto torna n’um presságio aterrorizador, instigante e sistemático, em ‘modus operandi’ de abuso, violência doméstica e falta de empatia coletiva.

 

Dirigido e roteirizado por Leigh Whannell, eis que este adapta conforme a conveniência artística – isto é, ambientar de modo que nos pareça atual, relevante e dentro do exercício de coercitividade em que é inserido os personagens. E a narrativa foi delinhada de forma excepcional, trabalhando em pequenos núcleos – porém tendo a personagem principal, Cecília Kass (Elisabeth Moss), como o foco determinante, em conflito com o personagem Adrian Griffin (Oliver Jackson-Cohen).

Em uso do gaslighting (termo de 1938 para designar o abuso psicológico) de diferentes situações, orientam-se na confusão imediata e de natureza compulsória em que nela causa; o enredo desenvolve – de forma crua e real – na hostilidade, como uma forma orgânica de denegrir a imagem da vítima sem precisar de outros meios. Ainda assim, a violência é brutal por exercer sua invisibilidade, tal qual exige uma certa contestação moral por parte de quem assiste. Afinal, os meios justificam os fins?

De parte técnica, o diretor Leigh Whannell prestou uma grande homenagem ao Hitchcock, usando o movimento de camera para a emulação de um olhar em terceira pessoa, e acentuando o clima de suspense com uma trilha sonora forte e evocativa. Também há muitas referências em obras de Stanley Kubrik, principalmente no O Iluminado (The Shining, de Stephen King) – em tomadas aéreas, em planos consistentemente abertos,  e em uma visão polida de um distanciamento entre o opressor e a vítima.

O Homem Invisível é um longa aterrorizador, de uso magistral de psicologia reversa, que subverte à toda expectativa – da qual a personagem Cecília Kass (Elisabeth Moss) é invisível aos olhos da sociedade, limitando-a sofrer por silêncio, mesmo que não haja suficiência em palavras. Com plots diferenciados e surpreendentes, o longa soube mostrar que nem todo homem é bom por natureza – um desajuste de poder exarcebado em seu íntimo, porém abusivo em todas as circustâncias.

O Homem Invisível  está em cartaz nos cinemas.

 

 

 

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