CRÍTICA: O FAROL

Lançado no ano passado, O Farol (The Lighthouse, 2019, EUA) transborda uma faceta de um velho cinema, no estilo soviético, em uma visão de ‘um olho só’, capitalizado na famosa frase:

“Eu sou um olho. Eu sou um olho mecânico. Eu, uma máquina, estou mostrando a você um mundo que apenas eu posso ver.” – Dziga Vertov 

É notório que o longa transmite uma mitologia que agrega na narrativa, da qual o espectador é levado à frieza em seu formato claustrofóbico, de cenas amplamente estarrecedores, de suas nuances pobres e nefastas – transformados em preto-e-branco. A riqueza de detalhes, culminados na (des)esperança de seus cúmplices, elabora uma síntese grego-romana – ora pela linguagem exaustiva de seus personagens, ora pela necessidade irreparável na condição sobre-humana.

Realizado pelo aclamadíssimo diretor Robert Eggers (A Bruxa, Brothers), ele pincela o mundo sob a perspectiva do ínicio de século XX, onde o velho Thomas Wake (Willem Dafoe) – um responsável pelo farol de uma ilha deserta e isolada – contrata o jovem Ephraim Winslow (Robert Pattinson) para a devida substituição ao ajudante anterior e, assim, na colaboração de suas tarefas pré-estabelecidas. Porém, ao desabonar o jovem Ephraim à seu exercício de acesso ao farol, o alimenta – sem querer – pela curiosidade evasiva, e nela geram as provocações uns aos outros. Enquanto isso, ocorrem fenômenos estranhos ao teu redor.

O grande triunfo deste longa é mediar, de ambas as partes – isto é, o roteiro em contraste com o espectador – um pé no horror, em derivado no suspense. Isto cria uma expectativa que não sobressai além de sua capacidade elucidativa, sendo difícil de digerir. Porém, esta característica é de uso alucinante, da qual inserimos uma perspectiva diferente, conforme a trama avança nas suas cenas usuais. De modo que, ao adentrarmos na busca de algum significado, ficamos perplexos pela sutileza adocicada nos diálogos complexos, porém charmosos e poéticos.

É, de longe, a melhor atuação de Willem Dafoe e Robert Pattinson. Em uma entrega dominante, os dois subentendem os seus respectivos personagens, em uma trágica relação de amência e deturpação de raciocínio lógico. Exclamaram-se do príncipio de anedonia, ao se perderem na sua total dependência de alguma resolução. E, nisto, transcorre-se o mistério – enquanto denotam os fenômenos diversos.

O Farol é um longa extremamente confinante, de propósito. Em inúmeras alegorias, o enredo capacita ao espectador a buscar alguma verdade, no meio ao expressivo experimento de claustrofobia, solidão, irritabilidade e transtorno de personalidade. E sendo único e revelador, O Farol traz a simbologia e a complexidade artística em um nível ensurdecedor, sendo um dos melhores filmes ‘fora da caixinha’. Feito p’rá pensar, feito p’rá teorizar.

O Farol está em cartaz nos cinemas.

 

 

 

OS MEMBROS DO CLUBE DOS RABUGENTOS SÃO MUITO FELIZES!

O site Nerd Rabugento é independente e não depende de patrocinadores para existir. E para que o Nerd Rabugento continue INDEPENDENTE, TORNE-SE MEMBRO DO CLUBE DOS RABUGENTOS!

O Nerd Rabugento não dá dica ruim e você confia nessa afirmação. Torne-se Membro do Clube, tem um valor que cabe no seu orçamento. E tem um monte de vantagens que nenhum outro Clube oferece. Mas se você não quiser se tornar membro e ainda assim quer contribuir, clique no segundo link. A sua contribuição ajuda demais o canal a se manter.

QUERO SER MEMBRO ➜     QUERO CONTRIBUIR ➜