CRÍTICA – MARIA E JOÃO: O CONTO DAS BRUXAS

Diante de muitas narrativas baseadas em contos infantis, Maria e João: O Conto Das Bruxas (Gretel And Hansel, 2020, EUA) alia-se no conto primitivo dos irmãos Grimm, trazendo a aura mística, funebra e instigante – em suspense com um pé no horror não-usual, de uma fotografia estonteante e com um roteiro cadenciado, porém eficiente em sua proposta.

 

Dirigido por Oz Perkins, com roteiro de Rob Hayes, o longa desenvolve a partir da relação de Maria (Sophia Lillis) com seu irmão João (Samuel Leakey), que estão ilhados após um delírio incomunicável de sua mãe – que, em tempos de escassez e peste, tornou-se ligação de um elo para a ruptura de suas convicções. Com este inesperado ato, vão em busca de um lugar para acomodação e assim, saciar-os da fome que lhes alastravam.

Talvez o maior mérito é desvencilhar toda e qualquer usualidade do que seria o terror – usando o suspense como métrica cinematográfica, alongando simetricamente todos os elementos clássicos – gerando tensões com poucos ‘jump scares’. Com um desprendimento comercial, o longa Maria e João: O Conto das Bruxas compreende o tempo de condução dentro de uma estória – embora a lentidão seja o ponto de maior dificuldade artística, pois exige paciência e maior comprometimento do espectador.

Quando a cena retoma n’um local hostil, de uma casa isolada de tantos enigmas, o enredo engrena de modo coeso, sem precisar utilizar de ganchos metafóricos – sempre ordenando a pontuar várias decisões dos protagonistas, que acabam orquestrando o momento de encontro; e este tal encontro é com a Holda (Alice Krige), a Bruxa com seus desejos inconvenientes e perversos. De maior parte, as camadas dramáticas instigam e redobram as sutilezas narrativas, ainda por ser um filme de classificação de baixa etária  – o que também prejudica a profundidade de um terror ‘manifesto’, com um peso íntímo e particular.

Mas o peso dos contos de Grimm permanecem intactos, elaborando todo misticismo como um elemento funcional da narrativa; a trilha sonora ‘costura’ toda imersão instigante e nos transporta para dentro da estória. E, embora tenha alguns furos, a versão é interessante, imersivo, questionador e revelativo – de uma maneira comparativa às obras de Robert Eggers (A Bruxa/ O Farol), em seu maior apelo artístico.

Maria e João: O Conto Das Bruxas já está em cartaz nos cinemas.

 

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