CRÍTICA: DOUTOR SONO

Em um ano extremamente inspirador para as obras de Stephen King, o longa Doutor Sono consegue fazer o impossível: unir os dois universos desta obra (O Iluminado e Doutor Sono) e realizar um filme de duas horas e meia sem perder a compostura. Com um alto grau de sensibilidade cinematográfica, o longa Doutor Sono capta a essência de Kubrick e elabora uma essência primordial que projeta toda a cena em um risco meramente calculado. Ou melhor: os riscos existentes se perdem pela competência e assertividade de um diretor (Mike Flanagan) que dirigiu o ótimo A Maldição da Residência Hill.

 

Doutor Sono conta a história de Danny Torrance (Ewan McGregor), que sobrevivera de uma tentativa de homicídio por parte do pai – um escritor pertubado por espíritos malignos – e ao ser adulto, se tornou alcoolátra e seguiu-se traumatizado, decorrente do que acontecera. E no tempo posterior, cria-se um vínculo telepático de uma garota que possui os mesmos poderes, e descobre que precisa proteger-la – e a si mesmo – das ameaças que despertam seus antigos demônios, de seu passado.

Roteirizado também pelo Mike Flanagan, tratou-se buscar na preleção de seu maior responsável: Stephen King, que tornou-se a ser produtor deste longa. Com estas teses em mãos, Doutor Sono abrange toda obra literária de um modo fiel e bem intencionado, com uma postura técnica que vai de sua originalidade artística até a de Kubrick, podendo observar toda nuance de cores, enquadramento e a trilha sonora que compõe o longa. Um respeito para o cinema ao todo, aos fãs de Kubrick e aos fãs de Stephen King – estes, últimos, podem se decepcionar com o final diferente da que foi retratado no livro, mas sairá satisfeito – pois o nível artístico é de alto investimento.

Com um elenco de primeira, destaca-se a atriz Rebecca Ferguson como Rose, a antagonista deste longa. Certamente, a melhor atuação de sua carreira, com uma personagem de muitas camadas, de inevitáveis conjecturas em encontro com a telepatia e a ganância por almas ‘iluminadas’. Mas quem rouba em todas as cenas, é a estreante atriz Kyliegh Curran como a jovem Abra, que tem as mesmas projeções de Danny – em um patamar muito acima de outros ‘iluminados’. Com uma incrível interpretação, o convencimento de sua maturidade telepática é um tanto crível, e faz com que torcemos pela sua integridade física, diante de toda ameaça existente até então.

O terceiro ato é um grande fan service, com todas as identificações possíveis que há no O Iluminado, de um jeito bem peculiar, com muitas abrangências que tornam-se indispensáveis – que devem saltar aos olhos de quem assiste. É impressionante como os detalhes são minimalistas, de um cuidado técnico em reproduzir com exatidão – sem se apelar a efeitos visuais – dando então, uma espécie de alívio e um sorriso que certamente existirá no espectador.

Doutor Sono é um longa tecnicamente fabuloso, que transporta toda a sinergia de um cinema de Kubrick  e da escrita de Stephen King, criando um laço viçoso de amor e fidelidade à obra cinematográfica e literária.

Doutor Sono está em cartaz nos cinemas.

 

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