CRÍTICA: CATS

Em um manifesto criativo cada vez mais dependente de reformulações e/ou transferência de mídias para um produto final, ‘Cats‘ abraça a multiforme do teatro, mas em um tento bizarro  que perde a força da natureza teatral – baseado no poema de T.S.Elliot, “The Naming Of Cats“. Em uma linguagem cinematográfica, ‘Cats‘ tem o promissor de se tornar um cult, e elevar-la à enésima potência, no que toda produção deve evitar: edição apressada, de CGI de causar neuras indizíveis, atuações empobrecidas e uma infinita ocorrência de vergonha alheia, ao longo de toda sua exibição de quase duas horas.

 

Em um elenco recheado de grandes atores (e outros, nem tanto), ‘Cats‘ elabora uma uníssono com a compatibilidade do gênero musical em um desvio artístico – literatura x teatro x cinema – e na descentralização de antropomorfismo, causando uma certa estranheza visual, no equívoco criativo dos produtores. Ademais, como se deve esperar, ‘Cats‘ se provou inexistente na linha narrativa, com qual a história se permeia por meio de conexões interligadas de canções, sem se preocupar com a dosagem dramática de seus personagens.

Em efeito comparativo, ‘Cats‘ nota-se a riqueza de melodias que mesclam entre a animosidade – por manter o mesmo arranjo do original – e a desabilidade do canto lírico, já que nem todos desfrutam de talento natural. E o resultado impacta de modo visceral, criando no espectador mais atento, a detratar de forma permissível – sem antes, claro, de dispôr na vergonha alheia, pelo humor afetado e insóluto de diversas cenas.

Na direção de Tom Hooper, ‘Cats‘ insinua a seriedade no que ela exige, mas de efeito dominó: cada cena é um desperdício absoluto, declinando cada peça de pequeno valor, e abre-se na condolência antipática e estranha – que faz qualquer filme de Tim Burton, um mero filme existencialista. Entre ser estranho e mágico, ‘Cats‘ é um retalho de longa viagem – situado na segurança de suas canções, mas aprisionado na própria ignorância tecnológica – de proporções indevidas: seriam gatos ou camundongos?

Cats‘ é um filme-musical de péssima decisão artística, que elabora a estranheza como uma condição de fino grato, mas que sobrecai à toda pena de esmero inexistente. Salvam-se algumas canções, como a repetida ‘Memory‘ – pela excelente intérprete Jennifer Hudson, em emoção infindável. E Tim Hooper atirou CGI nos gatos (e parece que não morreram.) Mas qualquer um de nós ‘admirou‘ e berrou – tristemente – quando o gato ‘humano‘ declarou um belo ‘miau‘. É um atestado de demência, coragem e lucidez, p’rá testemunhar o pior filme de última década. E tenho dito!

Cats‘ está em cartaz nos cinemas.

 

 

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