CRÍTICA: BRINQUEDO ASSASSINO (2019)

Em meio à remakes e/ou reboot’s, considera-se que a expectativa sempre é dosado de maneira mais conflitante – ainda mais se isto basear em um grande clássico, quase no final dos anos 80. Isto é exemplo claro de uma franquia como Brinquedo Assassino:  desgastada, sem credibilidade artística e com uma qualidade duvidosa de sequências. Eis que surge mais um filme, com a necessidade de renovar a história e, supostamente, tentar uma melhor disposição narrativa de um clássico.

 

Dirigido por Lars Klevberg, com uma produção de David Katzenberg e Seth Grahame-Smith, tenta-se moldar o roteiro – de Don Mancini e Tylor Burton Smith – com a atualização global em meio à tecnologia e os conceitos futuristas que estão presentes no dia-a-dia. E de comparação ao original, a premissa é interessante, intrigante e atual – que foge de um comportamento sobrenatural do original e busca propor algo mais realista possível, que nem sempre reflete em qualidade.

A sinopse adapta-se à este conceito, de modo cruel. Nos primeiros quinze minutos, o longa elabora um diálogo sobre abuso moral no trabalho e das condições trabalhistas, tornando-se diferente de outras versões já vistas (ou não). Ademais, o longa mostra a relação entre o filho Andy Barclays (Gabriel Bateman) e a mãe Karen Barclays (Aubrey Plaza), ambos com situações díspares – Karen é atendente de balcão, em uma grande loja de brinquedo. Na proximidade do aniversário de seu filho, Karen presenteia o brinquedo tecnológico mais aguardado dos últimos tempos, o Buddi, que foi devolvido sob alegação de problemas técnicos. Porém, com a ocorrência de diversos crimes estranhos, entorno de um mesmo bairro, começam a pressumir que o brinquedo, em si, não é tão inofensivo quanto parece ser.

Diferentemente do original, o longa restabelece – como via de condução narrativa – o lado maior do drama. Isto favorece as transposições de camadas, da qual conseguimos interagir da dinâmica prerrogativa entre todos os personagens. Por outro lado, há um senso de inabilidade assistida por parte da direção, de não saber fazer com que o Buddi – com seu psedônimo Chucky – tenha mais versatilidade entre a inocência e o ódio, com um propósito tecnológico amplamente modificado. O visual do Chucky pareceu-me proposital, com a ambígua conotação humorística do personagem, que chega a ser bizarro quanto aterrorizador. E é engraçado, de certo modo.

Mas a maior virtude do longa são as cenas de brutalidade, em um gore (ou splatter, como preferir) igualmente violento, sangrento e…divertido. Sim, a criatividade em encontrar meios furtivos de trazer o horror e fazer-la de modo tão grotesco e genial. Aqui, o Chucky inspira-se no modo automático, com suas usuais vinganças – que encontram-se no Andy, inevitavelmente.

E é no terceiro ato que se perde toda coesão narrativa, apelando para uma previsibilidade dos fatos – criando um clímax violento, porém de um modo mais sutil – e isto, já vimos em outros filmes da mesma franquia. Como uma espécie de subterfúgio, fez-se uma resolução de maneira simplória, sem acrescentar algo diferente.

Brinquedo Assassino é um filme descompromissado, com uma boa premissa e alto teor de gore, tornando-se interessante. Não é ruim (está longe de ser), mas também não é melhor que a original, como conjunto da obra.

Brinquedo Assassino já está em cartaz nos cinemas.

 

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