CRÍTICA: BRIGHTBURN

Imagine a hipotética sinopse ambientada em uma cidade rural, cujo casal de fazendeiros não tem obtido sucesso enquanto ter filhos, e… uma bola em chamas – vindo de algum lugar do espaço – cai  próximo de sua casa. E deparam com uma nave com um bebê dentro… até ai, você está se perguntando: “Oras, isto me parece a origem de Superman!”. Mas neste caso, a ideia é… “E se este bebê vier a ser um completo caos, sinistro, assassino, impiedoso e psicopata – e adquirindo poderes inimagináveis?”. Esta é a premissa interessante deste longa, que já foi contado em uma HQ…e aqui se materializa com maestria, com muitos acertos e algumas decisões erradas – vindas de um roteiro simplório, intimista e bem pé no chão.

 

O longa ‘Brightburn’ é um filme que se situa n’um terror que se ascende em um subgênero gore (ou ‘splatter’) – ou seja: é sangrento, violento, permissivo e cheio de mutilações convencionadas, capazes de trazermos o horror em sua maior angustia. Um prato cheio para quem gosta do gênero de super-heróis, e também para aqueles que apreciam uma visão diferenciada e subversiva de um “Superman” – neste caso, no lado do mal.

A direção é de David Yarovesky, que conta com uma produção de luxo – de nada mais, nada menos que o James Gunn. E o roteiro parte dos irmãos GunnBrian e Mark. Aqui, o roteiro descontrói toda ideia da jornada de um herói, para focar em uma alternativa muito mais provocativa, que resulta em um processo criativo e muito mais cativante.

O ator Jackson Dunn, como o garoto Brandon, consegue contextualizar todo o oposto da figura carismática e afável do Clark Kent, trazendo uma psicopatia translúcida, com olhos vidrados e na destreza de transcorrer todo o ódio reconstrutivo. Essencialmente, um “herói” sem lei. E sem vida, propriamente dito.

Ator Jackson Dunn como Brandon

Porém, a oportunidade de trazer dilemas conflitantes no personagem principal, se esvai conforme a trama vai adicionando algumas camadas dramáticas. Se torna tão previsível quanto a busca dos meios para deter o poderio maligno. Se faltou lógica nos personagens primários – os pais, neste caso – na resolução do problema, sobram cenas memoráveis, catastróficas e com uma dose transbordada de sangue, violência e destemor sem medida.

Kyle Breyer (David Denman) com Brandon (Jackson Dunn)

No entanto, as resoluções não arranham a experiência. Um filme corajoso, ambicioso e bastante eficiente no seu alto teor de sincronismo com o material-fonte, mas sem deixar de ser criativo. Que possamos ver mais ‘desconstruções’ narrativas conhecidas, para uma apreciação de maior visibilidade.

E não é necessário dizer que: se você tem aversão por uma violência mutiladora, com contrastes que permeiam perto do realismo, de um pressuposto sangrento que antecedem nas cenas… Melhor nem passar perto!

Brightburn – Filho das Trevas (é isso mesmo, produção?! Precisava de subtítulo?!) já está em cartaz.

 

 

 

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