CRÍTICA: ATENTADO AO HOTEL TAJ MAHAL

Em um passo para colapsarem uma tangente na ferida, Atentado Ao Hotel Taj Mahal é um exemplo de um cinema onde beira o realismo e a crueldade em um mesmo paralelo físico, que nos faz saltar os olhos de uma emboscada de tragédias – em uma escala de violência sem pudor. Baseado em uma história real, o filme foca na subjetividade em seu próprio salvamento, enquanto o mundo denigre em seu próprio casulo. Um mar de sangue inundou a cidade de Bombaim, na Índia. Literalmente!

 

A sinopse é clara, intacta e condizente com a realidade : Em 2008, o grupo islâmico Lashkar-e-Taiba executou doze ataques pela Índia, concentrados principalmente na cidade de Bombaim (Mumbai). Os tiroteios e explosões deixaram 164 mortos e mais de 300 feridos. Durante os ataques terroristas ao famoso Hotel Taj Mahal em Bombaim (Mumbai), o renomado chef  Hemant Oberoi e o garçom Arjun arriscam suas vidas para proteger as demais vítimas.

O longa é dirigido por Anthony Maras, um australiano que – embora não tenha um currículo vasto – soube manipular as expectativas, deixando em plano aberto e com muitas conjecturas no que poderia ter ocorrido no hotel luxuoso. E isto foi bom, pois soube neutralizar a obviedade do assunto, trazendo diversos enredos paralelos em que se cruzam na história: o aclamado chef Hermant Oberoi (Anupam Kher), o humilde funcionário de cozinha Arjun (Dev Patel) e o turista americano David (Armie Hammer), que – de uma forma ou outra – transitam em subtramas de forma inteligente, intrigante e perturbador.

A violência, de uma forma explícita (que chega a ser grotesca de tão real), é uma personificação de um fundamentalismo-religioso (com cunho político), que implícita na condição de pensamento dos extremistas: a morte é um prêmio, diante da margem do ‘sagrado’ que parece celebrar toda suntuosidade em crueldade, falta de empatia e frieza. O diretor Anthony Maras foi certeiro em buscar este tipo de contestação moral, na busca em chocar o seu público, fazendo com que questionemos certas atitudes deploráveis.

Com uma dinâmica montagem, o longa se flui de uma forma homogênea, sem traços de rompimentos entre uma subtrama e outro. Usando imagens reais da época, e entrelaçando com as cenas do longa, mostra-se versátil pela natureza do cinema: ora parece drama, outrora parece suspense e um pé no estilo documentário. Outro acerto foi ‘romantizar’ a fidelidade dos fatos, fazendo os diálogos com a língua estrangeira de todos os personagens – seja americano, indiano ou paquistanês. Isto implica em maior abertura dos acontecimentos, fazendo-nos aprofundarmos mais sobre os personagens e estarmos instigados com tudo que ocorreu.

Atentado Ao Hotel Taj Mahal é um cinema peculiar de intenso confrontamento moral, ético e religioso. Uma violência de norte extrema, n’uma visível contextualidade histórica – contada de uma forma bem ampla e eficaz.

Atentado Ao Hotel Taj Mahal já está em cartaz nos cinemas.

 

 

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