Bird Box, a Netflix acertou?

BIRD BOX é um filme, inspirado em um livro com o mesmo nome, produzido pela Netflix que estreou no streaming no dia 21 de dezembro.

Após algo misterioso dizimar a maior parte da população através do suicídio ao ser visto, uma sobrevivente chamada Malorie (Sandra Bullock) precisa atravessar um rio com duas crianças de cinco anos. Na esperança de encontrar um refúgio seguro em meio ao mundo pós apocalíptico, ela, as crianças e a caixa com pássaros que dá nome ao filme, precisam atravessar a perigosa correnteza no meio da floresta de olhos vendados para não serem afetados por essa ameaça desconhecida.

 

O suspense dramático dirigido pela dinamarquesa Susanne Bier, que ganhou o Oscar de Melhor filme estrangeiro com “Em um mundo melhor” em 2011, mostra o fato em dois tempos sob a ótica de quem está vivendo a calamidade: não há conhecimento sobre a origem da ameaça, nem muitas informações, apenas entende-se que é uma epidemia letal de contaminação instantânea que assola o mundo inteiro.

A história é densa e poderia ser interessante, a atuação da Sandra Bullock traz ao filme a apreensão necessária e Trevante Rhodes (Tom) dá suavidade para a trama, mas o filme é medíocre: Promete muito e entrega pouco.

Com uma boa direção, fotografia e premissa, o filme tinha tudo para ser um suspense bom de terror psicológico, mas acaba se tornando apenas um dramão piegas sobre uma mulher e sua relação conturbada com a maternidade.

O filme começa bem, com uma narrativa que prende a atenção e traz a tensão esperada, mas, na primeira alternada do tempo, quando mostram Malorie e as crianças no rio anos mais tarde, o desenvolvimento da história fica fraco e alguns acontecimentos do passado, que intercalam com o presente, não trazem aflição. Alguns personagens são tão irrelevantes que parecem terem sido colocados apenas para encher a cena, tal qual alguns pontos descartáveis da narrativa.

Nem todo filme precisa de explicação detalhada, inclusive algumas histórias funcionam muito bem com as possibilidades abertas e sem muitas respostas, um exemplo disso é “Um lugar silencioso” (2018). Mas BIRD BOX se perde nas explicações superficiais e tentativas de tensão simplórias, como na indiferença peculiar que a Malorie tem em relação a uma das crianças em dois momentos do filme. Isso seria intrigante se o motivo para essa reação não fosse evidente.

Ao contrário da maioria, algumas pessoas infectadas desenvolvem uma estranha satisfação ao olhar para fora de casa e isso é explicado superficialmente no filme, mas, quando Tom foi atingido pela força, ao contrário de toda a humanidade, por amor ele conseguiu resistir ao ímpeto suicida por alguns instantes. Cinco anos de sobrevivência traumática em meio a destruição generalizada não surtiram nenhum sinal de estresse nos sobreviventes, que se mantiveram bonitos e devidamente malhados em meio ao caos. Essas conclusões bobas e justificativas pífias se desconectam do ritmo do filme e seguem uma linha insossa que culmina num final desinteressante.

Ao ver o trailer e ler minimamente sobre BIRD BOX, imaginei que o suspense seria sobre algo sobrenatural onde a ameaça se manifestava através do maior medo das vítimas, e que por isso, talvez a história do rio fosse apenas o pesadelo da protagonista. O filme tem uma boa produção e atuações, não é ruim, e está longe de ser péssimo, mas é fraco. Muito fraco.

Em entrevista para um site, dias após a estreia do filme, Sandra Bullock e a diretora de BIRD BOX contaram que a aparência desse ser responsável pelo caos da história, quase foi revelada. A criatura foi criada e filmada, mas a equipe aptou em manter o mistério em torno disso e descartaram a cena. Um dos donos da empresa responsável pela elaboração do ser apocalíptico, Haward Berger, divulgou nessa quarta feira no seu Instagram pessoal, imagens da criação sendo desenvolvida.

Reprodução Instagram

Com ou sem a criatura, BIRD BOX é um filme melodramático maternal de zumbis, sem os zumbis, no qual a real finalidade dos pássaros é dar um ar poético para a última cena.

Vamos falar de coisa boa?

O site Nerd Rabugento é independente e não depende de patrocinadores para existir. E toda contribuição que você fizer será muito bem vinda, seja com o valor que for. Com apenas um real você já ajuda e mantêm o site independente.

A independência do conteúdo do Nerd Rabugento depende de você. O seu apoio pode ser tanto mensal quanto feito apenas uma vez, com qualquer valor. Escolha um dos links abaixo e faça o site Nerd Rabugento crescer ainda mais rápido!

QUERO APOIAR ➜     QUERO CONTRIBUIR ➜