A derradeira morte de Superman

A long time ago, numa cidade (não) muito distante chamada Jundiaí, eu passava por uma banca de jornal e descobria, atônito, que Superman havia morrido. Batido as botas. Ido pro beleléu. Cara, foi um choque. Veja bem, estamos falando do início dos anos noventa aqui, mais precisamente em 1992. E para mim, criança do interior, não havia diferença entre o Super dos quadrinhos e dos desenhos animados.

 

Os boatos eram inúmeros. Vendas fracas, pouco apelo com o público, estratégia de marketing… Eu era muito novo para comprar gibis e entender o que significavam essas coisas, mas lembro que pela primeira vez em toda minha vida até ali, pensei mais seriamente sobre a morte. Afinal, se Superman pode morrer, o que dirá nós, meros mortais.

O engraçado é que, quando se é mais novo, a gente consegue discernir a ficção da realidade, mas ambas produzem – quase que na mesma intensidade – efeitos práticos sobre nosso caráter, opiniões e percepções.

Quando saiu “O Retorno de Superman”, me dividi entre o alívio e a decepção. Alívio porque àquela altura eu já entendia que a “vida real” dos meus heróis estava no gibi e agora eu tinha a oportunidade de conhecer Superman da maneira correta. E por alguma razão, achava que ler as histórias mais antigas era errado.  Queria que Superman participasse da mesma linha cronológica que eu. Mas estava decepcionado porque, bem, ninguém volta da morte. Ok o cara voar, superok ter visão de calor… Mas voltar de uma coisa tão definitiva quanto a morte… Era inverossímil até pra mim.

No fim, era tudo marketing mesmo. Super teve uma morte mais ou menos (Apocalypse nunca foi grande coisa, falaí) para reviver (com mullets e os baralhos) e revitalizar o personagem e as vendas. Ainda naquela década, pouco depois, ele se dividiu em dois e experimentou outras bizarrices. Mas não fosse aquilo tudo, talvez eu me demorasse mais para entrar no mundo dos quadrinhos, o que definiu minha carreira e me introduziu a arte da reflexão útil.

Hoje em dia, a coisa descambou. Heróis (e universos inteiros) morrem e renascem a todo o tempo para atrair novos públicos, encaixar novas ideias ou lotar nossas prateleiras. E acho que tudo bem. Mas o que me motivou a escrever essa pequena explanação foram as teorias em torno da suposta (que de suposta não tem nada) volta à vida de Superman, dado como morto em BvS, no filme da Liga da Justiça que estreia em novembro deste ano.

Dizem as más línguas que a ideia central é trazer um Superman mais otimista e alinhado à sua gênese. Muito diferente do proposto em Man of Steel, de 2013, que inaugurou o Universo Cinematográfico da DC.

Mas aí fica uma pergunta: Depois de tantas mudanças e renascimentos no mundo, em nós mesmo, no personagem e até no próprio mercado (que se expande a perder de vista), como identificar a gênese de um personagem como  Superman? O que fazia (ou faz) as pessoas gostarem dele?

Se isso não te der o que pensar, nada mais vai.

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