A inquietante Born To Kill

A Inglaterra é um grande expoente de ótimas minisséries todos os anos, mas infelizmente muitas acabam por passar despercebidas. Born To Kill é só mais uma que deve levar o mesmo fim, porém estou aqui para acabar com isso e abaixo vocês podem conferir uma pequena analise minha de cada uma das 4 partes dessa minissérie.

 

Sinopse: Born To Kill é uma inquietante minissérie em 4 episódios que explora a mente de Sam, um adolescente prestes a colocar em prática desejos psicopáticos reprimidos. À medida em que a arrepiante história deste drama se desenrola, décadas de mentiras são reveladas e o passado distante e escondido da família de Sam retorna com uma vingança

Não é novidade o mercado Europeu, principalmente o inglês nos presentear com várias boas minisséries a cada ano. E sei que muitas delas passam despercebido pelas grandes premiações e pelo público em geral, então irei fazer essas analises/recomendações sempre que der, pois o que é bom deve ser exposto.

Bates Motel acabou há pouco mais de 1 mês e deixou uma legião de fãs órfãos, mas a nova minisséries do Channel 4, Born To Kill, vem para preencher esse espaço deixado, muito bem. E é uma fácil recomendação para qualquer fã de thrillers.

Born To Kill é envolvente, assustadora e deve ser visto por todos

Spoilers à seguir:

Episode 1 – A minissérie que é dividida em 4 partes, começa com um 1° episódio muito satisfatório, conseguindo fazer a combinação perfeita de tudo que um thriller precisa, personagens intrigantes -Sam (Jack Rowan) é o retrato perfeito de um psicótico e Crissy (Lara Peake), uma garota rebelde que é construída de forma bem pautada na realidade. Boa fotografia e uma ambientação assustadora. Nada melhor que as ruas gélidas e escuras da Inglaterra para fazer tal tipo de série e uma trilha minimalista e inquietantemente boa sendo usada sempre em momentos fundamentais e assim criando um clima tenso.
Em suma, é uma 1° parte que sabe o que está fazendo, traz aspectos técnicos muito rico e competente, dosa as informações e sabe trabalhar a tensão como poucas.

Episode 2  Já logo no começo do episódio começamos a ver as consequências da 1° parte e o aprofundamento mostrando que ele tem mesmo um prazer em matar, é o ato que mais o deixa em paz de espírito. E ver que a mãe dele (Jenny – vivido pela Romola Garai) mentiu sobre a morte do pai, Peter (Richard Coyle) -Sabendo os motivos, só faz mostrar que ele claramente seguiu os genes do pai, à risca.
O fato mais interessante aqui é ver que Sam tenta ser metódico em suas ações mas sempre acaba falhando em esconder pistas, sua imaturidade faz com que ele seja inconstante e não consiga (vestir suas personalidades direito). Isso é mostrado sempre que ele é jogado contra a parede ou quando é desmascarado em uma mentira. Tal fato é um dos maiores acertos de Born To Kill pois consegue emular a realidade como poucas produções tentam- e fazem. Um diferencial que faz toda a diferença.

Episode 3 – A condução desta 3° parte é trabalhado de forma brilhante. A cena que a mãe encontra o corpo da Cathy é assustador, mesmo nós já sabendo que ela morta, mas a o jogo de câmera na mão é feito de maneira perfeita. Passa de fato a visão e espanto da personagem, e podemos dizer o mesmo de mais 2 cenas, a da praia que mostra o único momento feliz da série, que chega a causar até uma estranheza de ver uma cena como essa no meio desse caos todo, e a cena da entrada na prisão, com direito a música tema de Vikings e tudo mais.

Episode 4 – Este último ato foi o mais intenso, coeso e o mais frenético da série, muito pelas sequências de mortes, flashbacks, e conflitos aos montes. A execução da morte da avó da Chrissy foi brilhante. O contraste de uma jovem rebelde se apavorando com o ato, e Sam totalmente desumano, não. Foi a forma mais brilhante de mostrar a profanidade e dar profundidade ao personagem.
A série é encerrada de forma surpreendente, com a morte de Peter e a prisão de certo modo inesperada de Sam. A cena que ficará marcada aqui é quando dão um enfoque na Jenny, é uma das coisas mais fortes e trágicas da série.

Se eu fosse pontuar uma única coisa que ficou vago no meio de tudo isso, foi: Ficou faltando foi uma explicação melhor de quando ele começou a ter tais desejos, quando tudo isso despertou nele e fazer vítimas. Mas ainda assim não é uma coisa que chegue a atrapalhar o andar da trama.

A errônea comparação com Norman Bates:

Ao assistir ao 1° episódio, muitos comparam Sam com o Nornan Bates, porém ela é completamente errada, pois aqui temos um garoto que tem prazer em matar, é consciente de seus atos, diferentemente do garoto de White Pine Bay que tem blackouts  e comete os atos inconscientemente. A única coisa que podemos de fato dizer que os dois tem em comum é: São bondoso em até um certo ponto, sim, Sam faz atos puristas apenas de faixada, apenas provando sua perversidade.
Assim como Freddie Highmore, Jack Rowan (Sam) foi brilhante em apresentar uma atuação tão coesa e assustadora para um personagem complexos de forma tão realista, e isso pode não o render premiações, mas já fez entrar para o elenco da excelente Peaky Blinders. 

O fato triste fica por conta de que mais uma vez a série não foi adquirida por nenhuma emissora aqui no Brasil.

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